Economia global deve crescer entre 1% e 1,5% em 2012, diz Pimco

Segundo relatório da companhia, zona do euro deve entrar em recessão e economia chinesa deve esfriar em 2012

Álvaro Campos, da Agência Estado,

22 de dezembro de 2011 | 15h10

NOVA YORK - O crescimento global provavelmente será limitado em 2012 pela crise da dívida na Europa e a desaceleração da economia da China, segundo informou a Pacific Investment Management Company (Pimco), que administra o maior fundo de bônus do mundo, em uma nova projeção divulgada nesta quinta-feira, 22.

O relatório diz que a zona do euro deve enfrentar uma recessão no ano que vem, enquanto a economia chinesa deve esfriar um pouco, para uma expansão de 7,0%. De acordo com Saumil Parikh, diretor-gerente da Pimco, a economia global deve crescer entre 1% e 1,5% em 2012, abaixo da expansão de 2,5% prevista para este ano.

A Pimco lembra os países da zona do euro devem implementar rígidas medidas de austeridade, o que deve diminuir o crescimento entre 1,5 e 2 pontos porcentuais nos próximos dois anos. Juntamente com descontos (haircuts) em dívidas soberanas e defaults, isso deve fazer com que a economia do bloco encolha entre 1% e 1,5% em 2012.

A falta de crescimento pode ser ampliada ainda mais se bancos e países tentarem desalavancar fortemente seus balanços patrimoniais ao mesmo tempo, escreveu Parikh no relatório. "Para ser claro: a economia da zona do euro não pode suportar uma desalavancagem nos balanços patrimoniais soberanos e dos bancos, dada a já frágil projeção para o crescimento".

Segundo o diretor da Pimco, é aí que o Banco Central Europeu (BCE) precisa intervir. Para ele, a autoridade monetária precisa se tornar um emprestador de última instância para os países da zona do euro, para ajudar a evitar um período no qual os investidores precisam vender ativos para pagar dívidas, o que derrubaria os preços dos ativos em um nível global. Entretanto, no momento as chances do BCE não intervir para evitar esse cenário são "desconfortavelmente altas", diz Parikh.

Em relação à China, a Pimco espera que o país desalavanque um pouco em 2012, para equilibrar o investimento interno e o consumo e para cobrir empréstimos non-performing (aqueles cujos pagamentos de juros estão em atraso e a coleta do principal é incerta) no seu sistema bancário. Mas Parikh afirma que as amplas fontes financeiras da China devem permitir que o país faça isso sem prejudicar completamente o crescimento.

Os EUA também devem desacelerar em 2012, com um crescimento entre 0% e 1%, após uma expansão de 1,5% a 1,75% este ano. O Reino Unido pode encolher até 0,5% em 2012, enquanto o Japão deve crescer entre 0,5% e 1%.

As informações são da Dow Jones.

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