Fabio Motta/AE
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Economista-chefe do FMI defende câmbio com flutuação gerenciada

Para Olivier Blanchard, medidas de controle de capitais devem ser parte da caixa de ferramentas de política econômica

Fabio Graner e Daniela Amorim, da Agência Estado,

27 de maio de 2011 | 15h13

O economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Olivier Blanchard, afirmou nesta sexta-feira, 27, que o controle de capitais como parte do arcabouço de política econômica não implica em câmbio fixo. Na visão dele, a maioria dos países deveria ter um regime de câmbio com flutuação gerenciada (tanto para cima como para baixo), de modo que se tenha um melhor resultado para toda a economia. "Acredito que para a maioria dos países o caminho é a flutuação gerenciada", disse.

Blanchard ressaltou que o uso de controles de capitais é algo que está em fase de aprendizado e seus efeitos ainda não são totalmente conhecidos. "É uma ferramenta ainda pouco usada. Por isso é preciso cabeça aberta para usar esse instrumento. Estamos em momento de aprendizagem", falou.

Sobre a opção entre o uso de acumulação de reservas ou medidas de controle de capitais, Blanchard disse que o uso de cada um deles depende do caso de cada país, mas ele ressaltou que a compra de dólares implica custo fiscal.

Odiretor do departamento de hemisfério ocidental do FMI, Nicolás Eyzaguirre, destacou que houve uma ampliação da "caixa de ferramentas" para melhorar a gestão dos fluxos de capitais, superando o modelo de se apostar só em ajustes fiscais. "Às vezes, a ação macroeconômica pode não ser suficiente", alertou. "Se a liquidez é ampla para o seu país, mesmo que você tenha um sistema financeiro resistente e flexível, uma moeda bem posicionada, num nível correto, você pode ter devedores, como empresas, que querem aproveitar a ampla liquidez para fazer empréstimos no exterior. Então medidas prudenciais podem não bastar", completou.

Controle de capitais

Blanchard disse ainda que o uso de medidas de controle de capitais é uma questão técnica e não ideológica e que deve ser tratada com pragmatismo. Segundo ele, esse controle deve ser parte da caixa de ferramentas de política econômica, composta por cinco itens: política fiscal, monetária, aumento de reservas, medidas macroprudenciais e controle de capital.

O economista-chefe do FMI explicou que o recurso dos controles de capitais deve ser considerado levando em conta a situação inicial de cada País. "Não tem uma moldura única", disse. Ele afirmou que às vezes o fluxo de capital chega em momentos nos quais a situação macroeconômica não está ajustada e que o uso de controle de capitais não resolve sozinho. Mas o economista admitiu que é possível usar o controle de capitais no momento inicial, ainda com a macroeconomia não ajustada, mas sem abrir mão do uso dos demais instrumentos que fazem parte do cardápio.

O secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Carlos Cozendey, afirmou que o fluxo de capitais para o Brasil é uma novidade com a qual o País terá que aprender a lidar. "Há elementos de longo prazo, que é a melhor posição hoje dos países emergentes. Há uma redução na percepção de risco dos países emergentes e aumento de percepção de risco em relação a alguns dos países desenvolvidos. A situação fiscal em alguns países é complicada, vai ficar complicada ainda durante algum tempo, a gente teve problemas na Europa", explicou Cozendey.

Ele lembrou que no passado a economia brasileira sofria com a falta de capitais e por isso adotava-se medidas para segurar o dinheiro estrangeiro, enquanto agora busca-se conter os excessos, ainda que não haja "números mágicos" sobre isso. "A gente está com políticas para evitar que entre dinheiro muito rapidamente, em excesso. Agora, o objetivo não é impedir a entrada. É benéfica a entrada de capital no Brasil. O objetivo dessas políticas é evitar que haja um impacto negativo sobre a situação de sustentabilidade na área financeira, principalmente, e também sobre a inflação", disse o secretário.

Tanto Cozendey como Blanchard participaram e fizeram o encerramento do seminário sobre fluxos de capitais para países emergentes, promovido pelo ministério da Fazenda e pelo FMI e que foi encerrado há pouco, nesta sexta-feira.

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