Economista do Banco Mundial diz que China deve crescer 8% por 20 anos

O economista-chefe do Banco Mundial, Lin Yifu, diz, entretanto, que o país precisa iniciar reformas para remover desequilíbrios econômicos e sociais

Agência Estado,

29 de novembro de 2011 | 20h39

O economista-chefe do Banco Mundial, Lin Yifu, disse que a China pode continuar a ter um crescimento econômico dinâmico por pelo menos mais 20 anos, embora o país precise iniciar reformas para remover desequilíbrios econômicos e sociais. Ele fez essa declaração durante conferência sobre as economias asiáticas promovida pelo Federal Reserve Bank de San Francisco.

Segundo ele, a China está atrasada em termos de desenvolvimento econômico em comparação com os países desenvolvidos: em comparação com os EUA, o país estaria, neste momento, no nível do Japão em 1951, no da Coreia do Sul em 1977 e no de Taiwan em 1975. Lin acrescentou que nos 20 anos subsequentes a cada uma dessas datas, as economias desses três países asiáticos cresciam às taxas anuais de 9,2%, 7,6% e 8,3%, respectivamente.

"A China tem potencial para conseguir mais 20 anos de crescimento anual de 8%. A essa altura, a renda per capita da China, medida pela paridade de poder de compra, pode atingir cerca de 50% da renda per capita dos EUA", acrescentou Lin; medida pela paridade do poder de compra, a economia chinesa chegaria em 20 anos ao dobro do tamanho da economia dos EUA - ou de tamanho equivalente, se medida a taxas de câmbio do mercado.

Lin ressalvou que a China está diante de desafios para alcançar aquelas metas. Para ele, o país vive um "desequilíbrio triplo": primeiro, a China precisa dar ao consumo um papel maior no crescimento da economia - o que seria mais necessário neste momento, quando as crises nos EUA e na Europa estão prejudicando as exportações chinesas; em segundo lugar, a China precisa lidar com a desigualdade crescente de renda, que ameaça a estabilidade social e limita o crescimento econômico; em terceiro lugar. A China precisa equilibrar seu crescimento aos riscos ambientais.

Para lidar com essas preocupações, disse o economista, é "imperativo" que a China remova distorções nos setores financeiro, de recursos naturais e de serviços que atualmente dão poder demais e capacidade de tomada de crédito excessiva para grandes empresas e cidadãos ricos e acesso a crédito muito limitado quando se trata de cidadãos de renda baixa ou média.

Lin acrescentou que as mudanças necessárias incluem "remover a repressão financeira e permitir o desenvolvimento de instituições de financiamento pequenas e locais, reformar o sistema de pensões, retirando das mineradoras estatais a carga do pagamento de aposentadorias e cobrando de royalties apropriados para recursos naturais, e encorajar a abertura e a concorrência nos setores financeiro, de energia e de telecomunicações".

As informações são da Dow Jones. (Renato Martins)

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