Economistas avaliam que ata destaca câmbio e preocupação com inflação

Projeções esperam continuidade de alta da taxa básica de juros, a Selic, entre 9% e 9,75% até o fim do ano

Francisco Carlos de Assis e Renan Carreira, Agência Estado

18 de julho de 2013 | 11h51

SÃO PAULO - A ata da 176ª reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada hoje, destaca o papel do câmbio na condução da política monetária e também indica uma maior preocupação do BC com a inflação no centro da meta, segundo a avaliação geral de economistas.

Outro trecho considerado importante foi a retirada do parágrafo 21 da ata anterior, que mencionava que mudanças estruturais na economia brasileira determinavam recuo nas taxas de juros em geral.

"Agora, até certo ponto, vemos o BC admitindo que para trazer a inflação para uma trajetória cadente e consistente o ciclo de aperto monetário terá que ser mais longo", observou o estrategista-chefe do banco alemão WestLB no Brasil, Luciano Rostagno.

Rostagno considerou a ata boa, especialmente por mostrar um BC mais focado em combater a inflação e menos preocupado com a taxa de crescimento da economia. "Isso é importante porque na maior parte do tempo esta diretoria do BC atuou mais focado no crescimento e conivente com a inflação acima do centro da meta", disse Rostagno. O WestLB mantém a sua previsão de alta da Selic para 9,75% no final deste ano mesmo considerando que o BC se mostrou mais preocupado em combater a inflação.

A economista e sócia da Tendências, Alessandra Ribeiro, disse que o câmbio vai exercer um papel importante daqui para frente na condução da política monetária. "O Copom deixa espaço aberto, condicionado à evolução do câmbio, para subir a taxa básica de juros nas próximas reuniões", afirmou.

Alessandra disse que trabalha com um cenário de acomodação do câmbio em R$ 2,25 para o fim do ano. A economista acredita que o Copom vai subir a Selic até 9% ao ano e assim permanecerá até o fim de 2014. Para Alessandra, a ata do Copom deu uma "amenizada no tom" sobre a atividade econômica.

Sobre a inflação, a economista da Tendências disse que o comitê segue preocupado, "mas não houve nenhum recrudescimento de tom". Para ela, o Copom devem subir a Selic em 0,50 ponto porcentual na reunião do órgão em 27 e 28 de agosto.

Para a LCA Consultores, a ata trouxe algumas mudanças, mas, de modo geral, não sofreu alteração relevante de conteúdo. "Continua a sugerir que a autoridade monetária está inclinada a centrar forças para reverter a aceleração da inflação corrente e conter a deterioração das expectativas inflacionárias", de acordo com nota da empresa. A LCA destacou a supressão de comentários que vinham aparecendo nos documentos de política monetária desde setembro de 2010, em que o Copom avaliava que "ocorreram mudanças estruturais significativas na economia brasileira, as quais determinaram recuo nas taxas de juros em geral e, em particular, na taxa neutra".

Além disso, segundo a empresa, foi suprimido o comentário sobre "limitações no campo da oferta", assim como foi excluído o parágrafo em que o Copom avaliava que, "no curto prazo, a inflação em doze meses ainda apresenta tendência de elevação e que o balanço de riscos para o cenário prospectivo se apresenta desfavorável".

A LCA Consultores manteve a projeção de que a taxa básica de juros, a Selic, hoje em 8,5% ao ano, será elevada para 9,5% até outubro. Essa projeção, segundo a LCA, pressupõe gradativa diluição de incertezas externas e internas ao longo dos próximos meses, "que tenderá a se refletir, na conjuntura doméstica, em menor pressão cambial, gradual desaceleração inflacionária e recuperação (ainda que irregular) da atividade econômica".

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