Economistas estimam que câmbio de equilíbrio seja de R$ 2,30

'Eventualmente, o câmbio poderá chegar a R$ 2,40, mas recuará rapidamente', ressaltou o presidente da RS Rating

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

20 de junho de 2013 | 14h00

SÃO PAULO - Momentaneamente, a taxa se câmbio poderá chegar a R$ 2,30 e, eventualmente, a R$ 2,40, previu há pouco o economista e sócio da SR Rating, Paulo Rabello de Castro. Ele conversou com o Broadcast após ter participado do evento "Momento Atual da Economia Brasileira, Problemas, Oportunidades e Soluções", organizado em um hotel de Säo Paulo pela Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi).

De acordo com Rabello de Castro, o dólar a R$ 2,30 pode ser considerado como um câmbio de equilíbrio quando se analisam o custo do trabalho no Brasil e as tensões de ordem interna e externas sobre a economia brasileira. "Eventualmente, o câmbio poderá chegar a R$ 2,40, mas recuará rapidamente", ressaltou o presidente da RS Rating.

Para ele, o câmbio está buscando um novo patamar. "Só não existe ninguém tecnicamente capacitado para dizer de quanto", disse o economista. O mercado, segundo Rabello de Castro, tem feito uma leitura inconveniente do movimento do câmbio. A taxa de equilíbrio do dólar, na avaliação de Rabello de Castro será alcançada de forma mais moderada do que o mercado prevê. "Se for a R$ 2,40, voltará logo para R$ 2,30, R$ 2,31", ponderou o economista.

Economista-chefe da Acrefi, Nicola Tingas trabalha com o dólar se mantendo ao redor de R$ 2,30 por um horizonte de 12 a 18 meses. Ele também considera como sendo um câmbio de equilíbrio uma taxa de R$ 2,30.

O juro, de acordo com Tingas, está a reboque da variação do câmbio e deverá fechar este ano em 9,50% ao ano. Ele não descarta nem a possibilidade de a Selic atingir dois dígitos na virada do ano. "É claro que estamos falando no âmbito de um ambiente de pressão cambial e de elevada inflação e o BC tem reconhecido e sinalizado que não conseguirá trazer a inflação para o centro da meta (4,50%), mas para algo entre 5% e 5,2%", relativizou o economista da Acrefi.

Para Tingas, o Brasil passa por um período de ajuste de juros e câmbio. Segundo Rabello de Castro, é preciso que se olhe com muita atenção para os preços das commodities quando se fala em 2014 porque, se os preços delas começarem a derreter no mercado internacional, a visão que se tem em relação ao próximo ano terá de ser revista.

"Falo isso porque a balança comercial, embora com seu saldo refluindo, ainda está sendo segurada pelas exportações de commodities", considerou Rabello de Castro. Tanto ele como Tingas entendem que o cenário internacional está hoje mais para obstáculo do que para parceiro do Brasil.

"A instabilidade no plano mundial perdura e os mercados devem permanecer voláteis", disse o presidente da SR Rating, acrescentando que contribuem para este cenário externo mais adverso ao Brasil a redução anunciada pelo Federal Reserve (Fed) da compra de títulos - hoje o Fed compra o equivalente a U$ 85 bilhões por mês em títulos do mercado -, a austeridade fiscal na zona do euro, medidas expansionistas no Japão, a atividade menos dinâmica nos Brics e a redução da liquidez recebida pelas economias emergentes, entre outros fatores.

"O problema do câmbio é de ordem internacional. Não é resultado apenas de um equivoco econômico do Brasil. Nisso o ministro Guido Mantega está em boa companhia", afirmou Rabello de Castro.

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