Economistas se opõem a afrouxamento quantitativo nos EUA

Raghuran Rajan, da Universidade de Chicago, e Joseph Stiglitz, da Universidade de Columbia, se mostram pessimistas em relação à economia norte-americana

Luciana Xavier, da Agência Estado,

26 de outubro de 2010 | 15h34

Dois grandes economistas dos Estados Unidos atualmente, Raghuran Rajan, professor da Universidade de Chicago, e Joseph Stiglitz, da Universidade de Columbia, se mostraram pessimistas em relação às perspectivas para a economia norte-americana. Ambos esperam um crescimento lento dos EUA nos próximos anos e se disseram contrários à política de afrouxamento quantitativo adotada pelo Federal Reserve. Eles participaram nesta terça-feira, 26, de debate sobre perspectivas para a economia dos EUA na conferência The Buttonwood Gathering, da Revista The Economist, em Nova York.

"Qual realmente é o custo desse afrouxamento quantitativo? Até onde o Fed pode continuar comprando títulos? Acho que isso gera distorções e acaba tendo efeito nas taxas de câmbio em vários países", afirmou Rajan. Segundo ele, ao colocar trilhões de dólares no mercado, o Fed não consegue criar crédito para a economia real e acaba enfraquecendo ainda mais o dólar.

Stiglitz também se mostrou contrário ao afrouxamento quantitativo. Para ele, a saída está no lado fiscal. "A única coisa que pode realmente ajudar a economia dos EUA é mais estímulo fiscal", afirmou.

Após esgotada a munição para afrouxamento monetário via corte de juros - os Fed Funds estão na faixa de zero a 0,25% -, o Fed resolveu partir para afrouxamento quantitativo na última reunião, por meio de compra de títulos da dívida de longo prazo. No próximo encontro do Comitê do Fed, na próxima semana, analistas esperam por mais uma rodada de compras de títulos, inundando o mercado com mais dólares e, provavelmente, levando os governos de vários países a adotarem mais medidas para desvalorizarem suas moedas.

Emprego

Para Stiglitz, a economia norte-americana não será capaz de criar o número de empregos necessários para voltar a atingir o equilíbrio, a menos que os Estados Unidos cresçam de 3% a 4% nos próximos anos. "Sinto dizer que o crescimento será substancialmente menor do que isso nos próximos três a cinco anos, com a taxa de desemprego permanecendo ainda nas alturas", afirmou. Para Stiglitz, a taxa de desemprego combinada com a taxa de subemprego nos EUA deve continuar ao redor dos atuais 17% nos próximos anos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.