Tasso Marcelo/AE
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Sem concorrentes, EcoRodovias vence leilão de rodovias que ligam o Rio a Governador Valadares (MG)

Concessionária foi a única a participar do leilão e ofereceu desconto de 3,11% sobre a tarifa básica estabelecida pelo governo

Matheus Piovesana, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2022 | 15h45
Atualizado 20 de maio de 2022 | 19h19

Em um leilão sem concorrentes, a EcoRodovias levou a concessão do Sistema Rodoviário Rio de Janeiro - Governador Valadares (MG), após oferecer um desconto de 3,11% sobre a tarifa básica de pedágio proposta pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Com o pacote, a concessionária passa à condição de maior operadora de ativos rodoviários do País, com mais de 4,1 mil quilômetros de malha.

Ao todo, o sistema leiloado nesta sexta-feira, 20, tem 726,9 quilômetros, e inclui trechos das BRs 116, 465 e 493, passando por regiões como o Arco Metropolitano do Rio e a Serra de Teresópolis. Serão cerca de R$ 21 bilhões aplicados nos 30 anos de concessão, entre investimentos e custeio operacional. Estão previstas obras como a duplicação de 303 quilômetros de pistas.

O CEO e vice-presidente financeiro da Ecorodovias, Marcelo Guidotti, destacou que os novos trechos geram caixa desde o começo da concessão, o que melhora a saúde financeira da empresa. No Rio, a operadora é a responsável pela concessão da Ponte Rio-Niterói, e pretende avançar. "No Rio de Janeiro, onde operamos a Ecoponte, buscamos novas oportunidades", afirmou ele.

O leilão desta sexta ocorreu em um contexto de menor ímpeto nas concessões. Em abril, o governo de São Paulo suspendeu a concessão do trecho norte do Rodoanel, na região metropolitana de São Paulo, diante das incertezas da economia. Em outras concessões, como a de hoje, houve apenas um interessado.

Questionado sobre a dificuldade em atrair novos operadores para as rodovias brasileiras, o ministro da Infraestrutura, Marcelo Sampaio, minimizou a menor competição nos leilões recentes, dizendo que o foco do governo não é arrecadatório, e sim em bons projetos.

De acordo com ele, o ministério tem apresentado os ativos de infraestrutura do País a investidores internacionais, em especial grandes fundos, e o interesse continua alto a despeito do contexto internacional mais desafiador. "A agenda de infraestrutura é para aqueles players e operadores que estão olhando para o Brasil nos próximos 30 anos", afirmou.

Sampaio disse que o governo espera leiloar outro lote rodoviário, o da BR 381/262, entre os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, antes de outubro, mês de eleições presidenciais. O leilão foi suspenso em fevereiro, por falta de interessados, e segundo o ministro, o projeto está sendo remodelado, diante da disparada dos custos causada pela inflação.

Aeroporto de Congonhas

Ainda de acordo com o ministro, o governo espera realizar até agosto o leilão da 7ª rodada de concessões aeroportuárias. É nesse certame que está uma das 'joias da coroa' entre os aeroportos brasileiros: o de Congonhas, na capital paulista. Ao todo, o pacote inclui 15 aeroportos, mas "perdeu" em fevereiro o Santos Dumont (RJ).

"A gente sabe que tem um momento com desafios, mas estamos confiantes, Congonhas é um aeroporto que tem movimento cativo", disse Sampaio, que assumiu o ministério em março, após a saída de Tarcísio de Freitas para disputar o governo de São Paulo. O ex-ministro foi saudado em vários momentos do leilão, sendo chamado inclusive de "ministro emérito" por ex-colegas de governo.

Sampaio voltou a afirmar que ao menos três grupos de operadores aeroportuários já manifestaram interesse pela 7ª rodada, em geral nomes que já atuam no País, como a Zurich. Em diferentes ocasiões, outras companhias, como a CCR, também manifestaram interesse pelos ativos que irão a leilão.

O governo ainda depende do aval do Tribunal de Contas da União (TCU) para levar o leilão adiante. O ministério espera que a corte de contas aprove os documentos até o começo do mês de junho, e afirma ter as demais etapas do processo já negociadas. "A Anac assumiu o compromisso de publicar o edital até três dias depois do aval do TCU", disse o ministro.

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