EDF negocia comprar fatia da Petrobras em térmica

A EDF negocia a compra da fatia de 10% que a Petrobras detém na térmica a gás natural Norte Fluminense, revelou nesta sexta-feira, 22, o diretor financeiro-administrativo da EDF Norte Fluminense, Carlos Alberto Afonso. "A Petrobras colocou à venda essa fatia e não teve nenhuma proposta. Nós, então, estamos negociando isso com eles", disse, após participar de evento na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).

WELLINGTON BAHNEMANN, Agencia Estado

22 de novembro de 2013 | 16h21

A EDF detém 90% de participação societária na usina, que tem capacidade instalada de 780 megawatts (MW) e está localizada em Macaé, no norte do Estado. Afonso afirmou que as conversas entre as partes estão num estágio avançado e a expectativa é de que o negócio seja concluído ainda em dezembro. A decisão da estatal de vender a participação na termelétrica faz parte da estratégia de desinvestimentos de ativos não alinhados com o core business - a meta perseguida para a venda de ativos é de US$ 9,9 bilhões.

De acordo com ele, a presença da Petrobras como sócia fazia sentido estratégico no passado para tornar viável o fornecimento de gás à térmica. Hoje em dia, no entanto, a presença da empresa tem restringido as possibilidades de expansão da EDF Norte Fluminense. "A ideia de comprarmos os 10% é para ficarmos livres para fazermos o que quisermos com a EDF Norte Fluminense", disse.

A intenção da EDF é se valer a EDF Norte Fluminense para ser um veículo de crescimento das operações no Brasil. "Poderíamos nos associar com outras empresas. Poderíamos criar uma nova joint venture, e outras empresas entrariam com o seus ativos e nós entraríamos com os ativos da Norte Fluminense. Têm ''n'' modelos de alavancagem", afirmou.

Energia renovável

A EDF também está prestes a ingressar no segmento de energia renováveis no Brasil. O diretor financeiro-administrativo da EDF Norte Fluminense revelou que a subsidiária de energia renováveis, a EDF Energies Nouvelles, desembarca no País em busca de novas oportunidades de crescimento. "Essa companhia já esteve no Brasil e está vindo de novo, focando energia eólica e solar", disse.

Afonso afirmou que os franceses estão bastante interessados com a dinâmica do mercado de energia eólica no Brasil, hoje um dos que mais cresce no mundo, e nas perspectivas de expansão da energia solar na matriz energética brasileira. "Há uma certeza expectativa no mercado de que o governo irá promover um leilão específico para solar. O próprio Tolmasquim (presidente da EPE) andou falando isso. Se for isso, é possível que a gente consiga entrar", afirmou.

A EDF Energies Nouvelles é uma das maiores operadores de energias renováveis do mundo. Ao final de junho deste ano, a capacidade instalada era de 6,358 mil MW e outros 1,493 mil MW estão em fase de construção. Seu faturamento em 2012 foi de 1,471 bilhão de euros e o lucro, 78 milhões de euros. O executivo sinalizou que a companhia não está buscando oportunidades em térmicas a biomassa no Brasil.

Hidrelétrica

Afonso disse que a EDF tem interesse em disputar a concessão da hidrelétrica São Manoel, que possivelmente será licitado pelo governo federal no segundo leilão de energia nova A-5 de 2013, marcado para dezembro. "Já estamos conversando com alguns grupos para São Manoel, outra usina do Rio Teles Pires (MT-PA) que estamos buscando parcerias", afirmou.

O interesse por São Manoel (700 MW de capacidade instalada) marca mais uma tentativa da EDF de retomar os seus planos de expansão no setor elétrico brasileiro, momentaneamente interrompidos após a venda do controle acionário da Light para a estatal mineira Cemig em 2006. O executivo disse que a EDF já havia tentado ganhar a concessão da usina Sinop, licitada no leilão A-5 de agosto deste ano, em parceria com a Cemig, mas foi derrotada pelo consórcio da Eletrobras.

Além da hidreletricidade, o executivo também citou os planos frustrados de investimentos em novas termelétricas a gás natural no Brasil. Após a venda da Light para a Cemig, o único ativo remanescente da EDF no País é a térmica a gás Norte Fluminense, na qual a companhia francesa detém 90% de participação e a Petrobras, 10%.

Por falta de gás, a companhia não conseguiu levar adiante o seu plano de construir novas usinas no País. Para o leilão A-5 de dezembro, a companhia chegou a cadastrar o projeto da térmica Paracambi (RJ), mas não foi habilitada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) por não apresentar um contrato de combustível com um fornecedor de gás - a Petrobras informou aos agentes do mercado que novamente não teria gás para fornecer neste leilão.

Afonso explicou que o projeto de Paracambi está pronto e, inclusive, passou por uma revisão que elevou significativamente a sua capacidade instalada. Originalmente, a usina teria a potência de 550 MW. A nova versão da usina prevê o uso de uma nova tecnologia de turbinas a gás da alemã Siemens, o que possibilitou elevar a capacidade de geração da usina para 800 MW. A intenção da EDF é novamente tentar vender a energia da termelétrica nos leilões de energia nova de 2014. "Quem sabe com o retorno do gás, que parece que a partir de 2014 é grande a possibilidade de ter gás, a gente consiga ir para o leilão para fazer Paracambi", afirmou o executivo.

Tudo o que sabemos sobre:
EDFPetrobras

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.