Paulo Vitor/Estadão
Paulo Vitor/Estadão

Egípcio vai mostrar hoje plano alternativo para Oi

Naguib Sawiris e credores propõem injeção imediata de até US$ 1,75 bi e aporte de US$ 12 bi no prazo de 6 anos

Cynthia Decloedt, Mariana Sallowicz, O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2016 | 05h00

SÃO PAULO e RIO - Cerca de três meses após apresentar o seu plano de recuperação judicial à Justiça, a Oi recebe hoje uma proposta alternativa que foi costurada por credores e o investidor egípcio Naguib Sawiris. Com mais de 30 páginas, o documento prevê injeção imediata de um valor entre US$ 1,250 bilhão e US$ 1,750 bilhão na tele, segundo fontes com conhecimento do assunto. Além disso, propõe o investimento de US$ 12 bilhões (cerca de R$ 40 bilhões) no prazo de seis anos.

A proposta será apresentada por um grupo formado por “bondholders” (donos de títulos) da Oi representados pela Moelis & Company, bancos de fomento e o investidor egípcio Naguib Sawiris. A ideia de fazer uma contraproposta à companhia surgiu diante da insatisfação com o que foi apresentado pela companhia em setembro.

Os credores irão retomar ainda a proposta de troca de 95% dos títulos da dívida em ações. Embora esse tenha sido o ponto que levou à ruptura das negociações preliminares com a companhia - e ao consequente pedido de recuperação judicial-, a Oi tem mostrado mais recentemente flexibilidade com a ideia de conversão de dívida em ação para tornar a empresa menos endividada. O processo de recuperação judicial, o maior na história do País, soma débitos de R$ 65 bilhões.

Será a primeira conversa formal de Sawiris com a Oi desde que seu nome tem circulado como interessado na tele. Também será a primeira proposta formal de ajuste financeiro e injeção de capital na tele. O plano alternativo foi negociado previamente com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e com bancos públicos. A agência reguladora, que reclama dívida de R$ 20,2 bilhões da Oi, receberia, de acordo com o plano, R$ 6 bilhões parcelados nos primeiros anos e o restante poderia ser convertido em investimentos.

O plano costurado deve contar ainda com o apoio dos bancos de fomento, entre os quais está o China Development Bank, para quem a Oi deve US$ 600 milhões. Os bancos de fomento como um todo têm US$ 1,6 bilhão em títulos de dívida e aderiram ao grupo da Moelis que, por sua vez, representa cerca de US$ 4 bilhões de “bondholders”, segundo fontes próximas ao grupo.

A Oi pode ouvir alguma proposta do fundo americano Cerberus, que no Brasil é representado por Ricardo K, conhecido por reestruturar empresas. Ao contrário do grupo de Sawiris, o fundo Cerberus procurou a empresa para estudar oportunidades na tele e que um acordo de confidencialidade foi firmado visando troca de informações. A Elliot também já indicou que fará proposta para a companhia. 

Os bondholders são os maiores credores da Oi. Eles buscam se organizar para ter voz nas discussões futuras com a empresa e nas assembleias de credores.

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