Eike Batista quer entrar no setor de banda larga em parceria com governo

Segundo o executivo, seriam necessários investimentos de US$ 10 bilhões para levar a bandalarga de 10 mega por R$ 40 a R$ 50 para todos os brasileiros

Natalia Gómez, da Agência Estado,

31 de maio de 2010 | 17h01

O empresário Eike Batista, conhecido por seus investimentos nas áreas de mineração e energia via holding EBX, tem interesse em entrar no setor de banda larga por meio de uma eventual parceria com o governo. Segundo o executivo, que participa hoje do Fórum Exame, em São Paulo, seriam necessários investimentos de US$ 10 bilhões para levar a banda larga de 10 mega por R$ 40 a R$ 50 para todos os brasileiros. Batista afirmou que o setor de banda larga é interessante porque os custos unitários caíram muito nos últimos anos. "Não seria tão custoso oferecer internet a R$ 40 para todos. O Brasil merece e necessita", disse.

De acordo com ele, ainda não existem estudos concretos e nenhuma proposta foi apresentada ao governo. Segundo ele, o governo teria que contribuir para que o projeto seja eficiente e isso poderia ser feito por meio de uma Parceria Público-Privada. Na visão do empresário, o setor de telecomunicações está relacionado aos negócios da EBX por tratar-se de infraestrutura. "Acredito que existe um grande potencial para o uso da internet para educação à distância no Brasil", afirmou.

Questionado sobre os planos da EBX de abrir capital, como fez com suas subsidiárias, Batista afirmou que não há necessidade porque a companhia está "mega capitalizada". Na visão do executivo, a crise na Europa não deve comprometer o crescimento do País porque apenas 10% do seu Produto Interno Bruto (PIB) é oriundo de exportações. "O mercado interno vai muito bem, obrigado", afirmou. No caso das exportações, ele acredita que a demanda deve se sustentar porque o Brasil exporta itens que o resto do mundo não tem.

O setor de minério de ferro, em que o grupo atua por meio da MMX, tem um cenário positivo devido à forte demanda chinesa, segundo ele. "Os chineses têm falta de matéria-prima", disse. No momento, a subsidiária OSX está construindo um estaleiro em Santa Catarina para atender à demanda da OGX, produtora de petróleo, com aportes de US$ 1,7 bilhão e conclusão prevista para 2012.

Batista defendeu que o governo escolha dois a três estaleiros para concentrar a demanda do País, permitindo a obtenção de escala. "Assim seria possível concorrer com qualquer estaleiro da Coreia", disse, durante o evento. Segundo ele, o plano atual de pulverizar a produção em vários estaleiros reduz a eficiência. "Hoje estes estaleiros só produzem equipamentos em partes, o que fica 40% mais caro", disse. 

Vazamento de petróleo

O vazamento de petróleo em um poço da British Petroleum no Golfo do México poderá aumentar os custos de extração na região pré-sal do Brasil, afirmou Eike Batista. "Aumentaria o custo com certeza, mas numa dimensão que não inviabilizaria o retorno ao investimento", declarou ele ao ser questionado sobre o assunto em um evento em São Paulo.

Especialistas no país alertaram, após o vazamento no golfo, que o Brasil deveria tomar medidas preventivas para evitar acidentes como aquele na área de exploração da BP, já que os equipamentos utilizados pela indústria atualmente poderiam não ser adequados às profundidades maiores do pré-sal.

 

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