Eike deixa conselho da MPX e acelera plano de reestruturação de seu grupo

Estratégia é vender toda a participação do empresário na companhia de energia MPX e na mineradora MMX, e usar os recursos para amortizar as dívidas das outras companhias

David Friedlander e Ricardo Grinbaum, de O Estado de S. Paulo,

03 de julho de 2013 | 23h00

Eike Batista vai fazer mudanças na MPX, sua empresa de energia, num passo decisivo na nova estratégia de vender o que for possível para pagar parte de suas dívidas. O empresário preparava nesta quarta-feira à noite o anúncio de sua saída do conselho de administração e a mudança de nome da MPX. São medidas para desvincular a empresa da imagem de Eike, tentar valorizar suas ações e possibilitar sua venda dentro de alguns meses.

A MPX é hoje a empresa mais valiosa dentro do grupo de Eike e peça central no plano de reestruturação do grupo, Quando chamou o banco BTG Pactual, de André Esteves, para assessorá-lo, a ideia era vender participações em cada uma das empresas, mas tentar manter o grupo intacto. Não deu tempo. Como os investidores começaram a fugir dos papéis X, foi preciso rever a estratégia e partir para um processo de liquidação.

Eike e seus assessores estão tentando vender por completo as duas empresas mais valiosas da carteira do empresário: a MPX e a mineradora MMX. A proposta é usar o dinheiro dessas vendas para pagar parte das dívidas das outras empresas que, por falta de interessados, deverão continuar com o empresário.

Quatro empresas menores, em fase inicial de investimentos, vão para a gaveta ou não receberão investimentos: AUX (ouro), CCX (carvão), IMX (entretenimento) e REX (imobiliária). E os elefantes brancos OGX (petróleo), OSX (estaleiro), LLX (Porto do Açú) e EBX (holding do grupo) vão encolher e serão administradas do jeito que for possível.

Capitalização. O próximo passo será a capitalização da MPX, no valor de R$ 800 milhões a R$ 1,2 bilhão. Devem participar os sócios atuais, que são a alemã E.ON, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o próprio Eike. O plano é que, depois de dois a três meses, se o valor das ações reagir às últimas mudanças, o empresário venda sua participação e a MPX deixe para sempre o grupo X.

A MMX é a outra aposta para reforçar o caixa do grupo. Embora seja uma mineradora, o único ativo que desperta interesse na empresa é o Porto Sudeste - o minério de ferro é de baixa qualidade e seu refinamento exigiria investimentos muito altos.

No momento, segundo executivos que acompanham o processo, há conversas em andamento com as tradings Glencore e Trafigura e com as siderúrgicas Gerdau, CSN e Usiminas. A suíça Glencore e a holandesa Trafigura já fizeram ofertas, que foram recusadas. As siderúrgicas estão avaliando a empresa. Se estratégia der certo, a MMX também deixará o grupo X.

O plano é usar os recursos da eventual venda da MPX e da MMX para ajudar a pagar dívidas das outras empresas. Uma delas é a holding EBX com os bancos Itaú Unibanco e Bradesco e o fundo Mubadala, dos Emirados Árabes. As dívidas da holding podem chegar a R$ 9 bilhões. Boa parte dessa bolada Eike deve na pessoa física e foi contraída em operações nas quais o empresário deu como garantia ações da OGX, que hoje não valem nada.

OGX. A petroleira OGX, que já foi a estrela do grupo, diminuiu de tamanho e não terá como honrar seus compromissos. A empresa tem pouca dívida com bancos, mas deve cerca de US$ 4 bilhões a investidores que compraram seus bonds (títulos de dívida). Os papéis são negociados no mercado a um nível tão baixo, 20% do valor de face, que os negociadores de Eike consideram que não serão pagos integralmente.

Eles podem vender a participação no campo de Tubarão Martelo e na operação de gás na Bacia do Parnaíba e usar os recursos para pagar ao menos um pedaço do débito, com descontos altíssimos.

Profissionais que acompanham o processo consideram que os credores não esperam receber mais o pagamento integral dos seus títulos. A questão agora seria negociar o tamanho do desconto que seria dado sobre o valor de face.

Na OSX, o plano é desativar o estaleiro e tentar vender a operação de leasing de plataformas de petróleo. Na LLX, levar o Porto do Açú em banho-maria e cogita-se pedir um empréstimo à Caixa Econômica Federal.  

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