Eike vai criar a petroleira OGX para participar de leilão

O investimento inicial na OGX será de US$ 500 milhões, e a intenção é de que a empresa participe sozinha do leilão, para depois fechar parcerias

Reuters,

04 de setembro de 2007 | 19h13

A EBX, holding do empresário Eike Batista, criou uma empresa, a OGX, para participar da nona rodada de licitações de petróleo e gás da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), prevista para 27 e 28 de novembro. De acordo com Batista, o investimento inicial na OGX será de US$ 500 milhões, e a intenção é de que a empresa participe sozinha do leilão, para depois fechar parcerias."No fundo, da mesma maneira que a MMX trouxe parceiros importantes e investidores estrangeiros, pretendemos fazer isso com a OGX, acredito que empresas estrangeiras que estejam estudando o Brasil tenham interesse de se associar com empresas locais", afirmou Batista a jornalistas nesta terça-feira.Ele informou que a exemplo do que ocorreu com as outras empresas do grupo, a OGX deverá abrir capital cerca de dois a três anos após o leilão da ANP. A empresa também tem planos de explorar gás na Bolívia para atuar em sinergia com a siderúrgica do grupo que entrará em operação no final deste ano, e que já foi alvo de conflito entre a companhia brasileira e o governo Evo Morales, no ano passado.   Bolívia   O empresário chegou a ameaçar uma retirada da siderúrgica da Bolívia, mas voltou atrás e decidiu terminar o projeto. "O governo (Bolívia) quer gerar riqueza e precisa de capital e gente qualificada", afirmou Batista. Depois de meses de disputas com o governo boliviano, Batista agora defende a nacionalização promovida por Morales."Se você quiser ir para a Bolívia tem que aceitar as condições desse modelo, onde o governo fica com 51% e o empresário com 49%. Se os 49% pagam a conta do empresário, tudo bem", avaliou.Ele disse que para a nova empresa contratou técnicos da Petrobras, como Paulo Mendonça e Luis Reis, além do ex-presidente da estatal, Francisco Gros. "Nós, do setor siderúrgico, consumimos muita energia, queremos agregar valor aos nossos produtos, é uma direção natural ir para a área de gás. A cultura do grupo é de risco e investimento e pesquisa", disse Batista. Vale do Rio Doce   Segundo fontes, com o mesmo pensamento a Companhia Vale do Rio Doce também estaria avaliando a entrada na nona rodada da ANP, e para isso teria contratado o ex-diretor-geral da ANP David Zylbersztajn.A empresa não confirma o interesse na nona rodada nem a contratação, mas, segundo analistas, esse novo nicho seria bem recebido pelos investidores. Para a Vale, a entrada no setor significaria ficar mais perto da BHP, maior mineradora do mundo em valor de mercado, e que tem um forte braço em energia."Faz sentido desviar o Capex para energia se ela (Vale) está olhando lá na frente uma possível falta de insumo para acompanhar os planos de aumento de produção, é como um hedge", avaliou o analista Rodrigo Ferraz, do Brascan.A empresa anunciou recentemente um agressivo plano de investimentos para aumentar a produção atual de 300 milhões de toneladas para 450 milhões de toneladas.O consultor da área de petróleo, Jean Paul Prates, da Expetro, vê inclusive espaço para as duas companhias - Vale e OGX - se unirem nessa empreitada. Ele afirmou que a entrada de mineradoras em licitações de petróleo "é um caminho natural", até porque as empresas já estariam acostumadas ao risco geológico, "é um processo de evolução natural", observou."Essa área (petróleo e gás) precisa de empresas capitalizadas e que tenham vocação para administrar risco, acho que o setor de mineração é o que mais se aproxima do setor de petróleo, até em questões regulatórias", afirmou Prates.

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