Alan Santos/ Reuters
Alan Santos/ Reuters

Eletrobras: Nove conselheiros renunciam e abrem espaço para mudanças pós-privatização

Mudança no conselho da companhia é mais um passo na transição da Eletrobras para a iniciativa privada; governo terá menos assentos no colegiado, e fundos e investidores ganharão maior representatividade

Matheus Piovesana e Victoria Netto, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2022 | 23h00

A Eletrobras informou neste sábado, 18, que recebeu carta de renúncia de nove membros de seu conselho de administração, a maior parte representantes do governo. O pedido ocorre após a capitalização da empresa na Bolsa, que movimentou R$ 33,7 bilhões e fez com que fosse privatizada. Segundo o texto enviado pelos conselheiros à empresa, a renúncia se deu para que os novos acionistas formatem o conselho da elétrica.

"Finalizado esse histórico e exitoso processo de capitalização da Centrais Elétricas Brasileiras S/A - Eletrobras, mediante a concretização dos eventos finais e necessários à desestatização da Companhia, fato este que trará novas oportunidades de investimento e de expansão de suas atividades, resta evidente que cabe agora a este Conselho de Administração, após profundas e efetivas contribuições ao processo, propiciar que a nova composição societária - definida sem a figura de um acionista controlador - venha a formatar um novo colegiado", informa a carta, publicada pela empresa.

"Para tanto, os atuais Conselheiros de Administração, imbuídos do senso de dever cumprido e cônscios dessa nova necessidade que dimana, não só para com a Companhia, mas, também, para com o Brasil, decidem renunciar aos seus respectivos mandatos", prosseguem os conselheiros.

Eles afirmam ainda que a renúncia é uma "boa prática de governança corporativa e de justiça social, que os atuais conselheiros se orgulham em cumprir", e que permitirá que a Eletrobras, que passará à condição de empresa sem controlador definido (corporation), componha um conselho alinhado à sua nova realidade jurídica e acionária.

Assinam a carta Ruy Schneider, Marcelo de Siqueira Freitas, Bruno Eustáquio de Carvalho, Ana Carolina Marinho, Jeronimo Antunes, Ana Silvia Corso, Felipe Villela Dias, Daniel Alves Ferreira e Rodrigo Limp. Atual presidente da companhia, Limp renunciou somente ao cargo de conselheiro. Exceto por Villela e Alves Ferreira, os demais eram representantes da União.

A mudança no conselho da companhia é mais um passo na transição da Eletrobras de estatal para a iniciativa privada. O governo, que continuará sendo acionista, terá menos assentos no colegiado, e os fundos e investidores que entraram no capital ou aumentaram posições ganharão maior representatividade, ajudando a definir os rumos da elétrica.

O conselho da Eletrobras é formado por 11 membros, sendo que atualmente, uma das posições encontra-se vaga. Outra é ocupada pelo representante dos funcionários da estatal, Carlos Eduardo Rodrigues Pereira, de acordo com o site de relações com investidores da empresa, e possui processo de eleição em separado. Pereira não pediu renúncia, segundo a Eletrobras.

A renúncia valerá após a eleição dos novos conselheiros pelos acionistas da companhia, através de assembleia geral extraordinária (AGE). Esta assembleia ainda não tem data para acontecer, mas a companhia informa que tomará as providências necessárias para sua convocação.

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