Eletrobrás diz que solução para Itaipu pode passar por Tesouro

Do ponto de vista empresarial, opreço pago pelo Brasil ao Paraguai pela energia da usinahidrelétrica de Itaipu é justo e se houver alteração no Tratadoentre os dois países será pela via governamental, com eventualajuda do Tesouro, afirmou o presidente da Eletrobrás nestaquinta-feira. A polêmica sobre alterações no Tratado assinado em 1973entre o Brasil e o Paraguai para construção da usina érecorrente e surgiu novamente durante a campanha do presidenterecém-eleito do Paraguai, Fernando Lugo, que pretende elevar atarifa paga pelo Brasil relativa à energia não aproveitada pelopaís vizinho. O Brasil paga ao Paraguai cerca de 43 dólares o megawatthora gerado por Itaipu, ou cerca de 72 reais. No Brasil, opreço da energia está girando em torno dos 100 reais o megawatthora. O Brasil financiou a obra e parte desse pagamento é usadopara amortizar a dívida do Paraguai, o que está previsto paraser feito até 2023. Para José Antonio Muniz Lopes, há pouco mais de um mês nocargo, se o governo decidir alterar o Tratado, a matéria deveráser avaliada pelos Congressos dos dois países e eventuaiscompensações financeiras não deverão passar pelo caixa daempresa, para evitar prejuízo aos sócios privados da Eltrobrás. "Nenhuma solução será adotada que leve a criar problema dolado privado (acionistas), tem que resolver como governo, temcomo intercambiar com o Tesouro", disse Lopes a jornalistasapós almoço-palestra no Clube de Engenharia. Ele lembrou que em 1993 o governo injetou 26 bilhões dedólares no grupo Eletrobrás para terminar com a equalização dastarifas no país. Empenhado em construir a "nova Eletrobrás", que conseguiueste ano liberação para atuar com parceiros no Brasil e noexterior, e programando para breve a entrada no nível 2 dosseus American Depositarys Receipts na Bolsa de Nova York, e jápensando no nível 3, Lopes garantiu que novas hidrelétricasbinacionais serão construídas, mesmo com os problemasenfrentados pelo Brasil com seus vizinhos. "A que está mais adiantada é com a Argentina, mas queremosfazer no Peru, Venezuela, Bolívia...", afirmou o executivo. Presente no evento, o ex-presidente interino da Eletrobráse atual diretor da holding Valter Cardeal explicou que uminventário feito em rios da fronteira entre Brasil e Argentinaapontaram para um potencial energético de 6 mil megawatts, masque a primeira usina deverá girar em torno dos 800 a 1.000megawatts.

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