Eletrobrás estuda participar de hidrelétrica de 800 MW na Guiana

O Brasil poderá desenvolver com a Guiana inglesa o mesmo sistema de construção de hidrelétricas que vem estudando no Peru e na Argentina, informou o diretor financeiro da Eletrobrás, Astrogildo Quental, comentando informação dada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira.

DENISE LUNA, REUTERS

14 de setembro de 2009 | 19h36

Em cerimônia em Roraima, Lula disse que o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, estarão na Guiana em outubro para conversar sobre o assunto com o presidente daquele país, Bharrat Jagdeo.

"O presidente Jagdeo tem um interesse prioritário na construção de uma hidrelétrica de 800 megawatts, e o ministro Edison Lobão, mais o presidente do BNDES e outros membros do governo estarão nos dia 3 ou 2 de outubro viajando a Georgetown para conversar com o presidente", disse Lula em discurso transmitido pela TV.

Segundo Quental, o projeto com a Guiana ainda é embrionário, mas será feito se demonstrar viabilidade econômica. A ideia seria a mesma dos outros países fronteiriços, ou seja, o excedente produzido seria adquirido pelo Brasil, como já ocorre no Paraguai.

"O projeto sendo viável pode ser interessante para os dois lados (Brasil e Guiana)", disse o executivo por telefone de Paris, onde promove um roadshow da Eletrobrás com investidores.

Ele lembrou que no Peru e na Argentina a construção de hidrelétricas pela Eletrobrás já está sendo alvo de estudos de viabilidade, e que existem projetos também para a África no segmento de geração hidrelétrica.

"Queremos em 10 anos que 10 por cento da nossa receita venha do exterior", explicou Quental. A Eletrobrás conseguiu este ano autorização do Congresso nacional para atuar no exterior.

O diretor esteve nesta segunda-feira na Noruega para divulgar o desempenho da Eletrobrás, que para crescer no mercado internacional precisará de mais recursos para investimentos.

Em julho, a empresa captou 1 bilhão de dólares com a emissão de bônus de 10 anos no exterior, com demanda cinco vezes maior do que o ofertado.

"Boa parte dos nossos investidores externos está na Noruega, porque tem muitos fundos conservadores", informou Quental.

De acordo com o executivo, dos detentores de ações preferenciais da Eletrobrás fora do país, 14 por cento estão na Noruega.

Depois de Paris, Quental e outros executivos da companhia irão a Londres, onde encerram o roadshow na sexta-feira.

(Com reportagem adicional de Ana Paula Paiva)

(Edição de Cesar Bianconi)

Tudo o que sabemos sobre:
ENERGIAHIDRELETRICA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.