Eletrobrás não cumprirá meta de superávit de 2009

A Eletrobrás não vai conseguir cumprir sua meta de participação no superávit primário do governo em 2009, de 1,6 bilhão de reais, informou o diretor financeiro e de Relações com investidores da estatal, Astrogildo Quental.

DENISE LUNA, REUTERS

09 de dezembro de 2009 | 16h18

A holding estatal deseja ser excluída do cálculo do superávit primário, mas Quental disse que isso não ocorrerá no ano que vem como a empresa gostaria.

Segundo o executivo, a empresa ainda estuda alternativas para o pagamento dos dividendos retidos no passado, como o parcelamento em cinco anos da dívida ou a troca da dívida por ações com os acionistas minoritários.

"A questão dos dividendos será equacionada de qualquer jeito em 2010, não sei se será pago em 2010, mas será equacionada", disse Quental à Reuters nesta quarta-feira, após uma reunião em Brasília sobre o assunto.

O executivo explicou que este ano, por conta de investimentos e do pagamento de dividendos referentes a 2008, a contribuição da empresa para o superávit primário do governo deve ficar entre 30 e 40 por cento abaixo do esperado.

"Ainda temos que esperar dezembro, que é o mês que mais tem faturas, mas vamos fechar abaixo da meta", afirmou, destacando que a Eletrobrás representa muito pouco nas contas do governo.

Quental avaliou que apesar de não ter conseguido retirar a empresa do superávit de 2010, a exemplo do que já ocorreu com a Petrobras, a perspectiva de sair em 2011 é maior.

"Queremos sair (do superávit), mas não deu para incluir na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentária) de 2010, só vai agora em 2011", previu.

DIVIDENDOS

A Eletrobrás reteve dividendos nas décadas de 1970 e 80 para realizar investimentos. O valor atualizado da dívida com os acionistas está em torno de 10 bilhões de reais, sendo 2 bilhões de reais referentes à parcela dos minoritários.

"O pagamento do acionista majoritário (União) entra no Tesouro e fica tudo bem, mas do minoritário entra como déficit. Estamos estudando uma forma de quitar esses dividendos independentemente de a empresa sair do superávit", explicou.

Ainda no campo das possibilidades, ganha força a proposta de parcelamento dos dividendos devidos em cinco anos, "para minimizar o problema do superávit", ou a troca da dívida por ações com os minoritários.

"Podemos dar a possibilidade dele (minoritário) trocar por ações novas da empresa", afirmou o executivo.

O Tesouro Nacional e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) possuem 80 por cento do capital da holding do setor elétrico. O restante está no mercado.

Na Bovespa, as ações preferenciais da companhia subiam 2,45 por cento às 16h10, para 35,55 reais, depois que a empresa divulgou comunicado ao mercado revelando "o firme propósito de resolver esta pendência (dividendos) o mais breve possível, no exercício de 2010".

"Resolver não quer dizer que vai pagar, mas a solução sai em 2010", garantiu Quental.

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