Eletrobrás negocia compra de geradora no Peru

O presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopes, disse nesta terça-feira que a estatal está negociando a compra de uma geradora de energia elétrica no Peru para entrar no mercado de geração do país vizinho, o que seria o primeiro passo da estatal brasileira rumo à internaciolização.

RODRIGO VIGA GAIER, REUTERS

11 de agosto de 2009 | 12h52

"Se conseguirmos vencer o leilão será a nossa primeira vez nesse modelo de compra no exterior", declarou o presidente da Eletrobrás a jornalistas durante o Energy Summit.

"Quero entrar no leilão do Peru, e para entrar tenho que ter uma empresa peruana. É mais fácil comprar", explicou Muniz Lopes sem divulgar o valor da compra.

Ele informou que está tentando junto ao governo peruanoadiar o leilão, previsto para outubro, para que a Eletrobrás tenha tempo de comprar a geradora local.

Apesar de ser considerada a primeira compra direta da companhia, a Eletrobrás já tem uma empresa binacional com a Argentina, Ebisa, criada com a intenção de construir a hidrelétrica de Garabi, na fronteira entre os dois países. A usina de Itaipu também é uma usina binacional entre Brasil e Itaipu.

Lopes defendeu mais uma vez a retirada da estatal do cálculo do superávit primário para alavancar o processo de internacionalização da companhia, que para o executivo deve seguir os moldes da Petrobras, que foi retirada do superávit do governo.

O orçamento da Eletrobrás prevê investimentos de 30 bilhões reais nos próximos 4 anos.

"Temos uma pressão para subir (os investimentos)... vimos que temos necessidade de ter um teto maior. Estamos discutindo esse teto", afirmou.

As ações da empresa caíam 2 por cento, por volta das 12h30, acompanhando a queda de 2,14 por cento do Ibovespa.

STJ

O presidente da Eletrobrás declarou ainda que está apreensivo com o julgamento que acontecerá nessa quarta-feira, no Supremo Tribunal de Justiça (STJ), sobre o empréstimo compulsório decretado pelo governo federal na década de 1980 para grandes consumidores.

A Eletrobrás provisionou em seu balanço uma dívida de 1,3 bilhão de reais com esta finalidade, mas empresas e associações cobram na Justiça um valor de aproximadamente 3 bilhões de reais.

"Torço, porque efetivamente preciso torcer...quanto vai ser não sei. Se (as empresas) ganharem essa, e como a decisão é vinculante, virão outras. Esse número pode ser uma coisa de louco. Estamos muito apreensivos", declarou Lopes.

BELO MONTE

O executivo voltou a afirmar que as subsidiárias da Eletrobrás poderão entrar separadas no leilão da usina de Belo Monte, programado para outubro desse ano, para garantir a concorrência.

O investimento previsto para construir a unidade de aproximadamente 11 mil megawatts é de 11 bilhões de dólares, informou Lopes.

"Acima de tudo está a competição. A Eletrobrás poderia se dividir estrategicamente", declarou Lopes, que ao assumir a estatal garantiu que as empresas do grupo não concorreriam mais entre si.

"Se o Governo entender que é importante entrarmos com 4 empresas, vamos entrar", acrescentou.

A Eletrobrás participa no momento da construção das usinas do rio Madeira, em Rondônia, com Furnas no consórcio vencedor da usina de Santo Antônio e Eletrosul e Chesf no grupo que ganhou a usina de Jirau. Ao todo o complexo do Madeira vai gerar cerca de 6 mil megawatts.

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