Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Demanda de investidor por oferta de privatização da Eletrobras já supera oferta em 50%

Teto da oferta é de mais de R$ 35 bilhões; conta sobre interesse de investidores ainda não inclui os R$ 6 bilhões que estão separados para que trabalhadores invistam nos papéis com dinheiro do FGTS

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2022 | 15h05

A Eletrobras já possui demanda para vender suas ações na oferta que marcará sua privatização, que poderá movimentar mais de R$ 35 bilhões. Segundo apurou o Estadão, as ordens feitas por grandes investidores já superam o volume da oferta em cerca de 50%. E isso sem contar o dinheiro que virá das pessoas físicas, que poderão usar os recursos hoje aplicados no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) nos papéis, e também o grupo dos prioritários, como os atuais acionistas e funcionários da Eletrobras.

A oferta de ações da Eletrobras foi lançada na semana passada e, desde então, a administração da empresa e os bancos estão em ritmo acelerado de reuniões com investidores. O preço da ação na oferta será definido no próximo dia 9 – o valor do papel depende justamente do apetite dos investidores, que é classificado por fontes de mercado como bastante elevado.

A demanda tem sido forte mesmo em um momento de aversão ao risco nos mercados em todo o mundo, pois a expectativa é de que as ações da Eletrobras tenham grande potencial de alta após a desestatização, algo que independe do ambiente macroeconômico.  

Essa é a maior oferta de ações na Bolsa brasileira desde a megacapitalização da Petrobras, há mais de dez anos. Como a definição do preço será apenas na próxima quinta-feira, a leitura é de que o interesse esquente ainda mais até lá.

Os coordenadores da oferta são BTG Pactual (líder), Bank of America (Bofa), Goldman Sachs, Itaú BBA, XP, Bradesco BBI, Caixa, Citi, Credit Suisse, JPMorgan, Morgan Stanley e Safra.

Aposta de fundos de investimento

A operação foi lançada com o apoio de dez fundos, que devem comprar cerca de R$ 15 bilhões em ações da companhia. Segundo fontes, esse grupo fez uma oferta abaixo de  R$ 40 por papel, mas a aposta nos bastidores é de que esse preço vai subir. No lançamento da oferta, a ação da companhia do setor elétrico estava em R$ 44 – hoje, está em torno de R$ 42.

Pelo processo de tratar de uma privatização, existe um valor mínimo para a venda de cada ação da estatal, algo que já foi definido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), mas o valor é mantido sob sigilo. Na prática, isso significa que a oferta só ocorrerá se os investidores aceitarem pagar um preço acima do que foi colocado como o piso.

 

No entanto, a principal carta na manga no processo foi a liberação do uso de recursos do FGTS para pessoas físicas participarem da oferta, com um limite de R$ 6 bilhões. O período de reserva para esse público começou nesta sexta-feira, 3, e irá até a próxima quarta, 8, mesmo prazo que investidores que se encaixam na oferta prioritária deverão manifestar interesse em participar. Outros R$ 3 bilhões poderão ser comprados por pessoas físicas que não possuem recursos no Fundo de Garantia.  

Ao fim do processo, a União terá sua participação reduzida a menos de 50% – ou seja, deixará de ser a controladora da empresa de energia. A previsão é de que a fatia que hoje pertence ao governo, somando União e BNDES, vá dos atuais 60% para cerca de 33%, de acordo com o prospecto da oferta. O modelo da privatização é o mesmo do que foi utilizado pela antiga BR Distribuidora, que pertencia à Petrobras. O negócio foi renomeado Vibra.

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