Eletrobrás quer participação de até 5% em usinas dos EUA

Ideia é fechar compra de fatia em hidrelétricas, eólicas ou em empresas de transmissão de energia até o fim deste ano 

Kelly Lima, da Agência Estado,

26 de julho de 2010 | 12h04

A Eletrobrás quer comprar até 5% de participação em usinas hidrelétricas, eólicas ou em empresas de transmissão de energia já instaladas nos Estados Unidos. Segundo o superintendente de Operações Internacionais da Eletrobras, Sinval Gama, a ideia é fechar o negócio até o fim deste ano. "Estamos buscando algo que gire em torno de 300 megawatts (MW). O bom nos Estados Unidos é que com qualquer US$ 60 milhões é possível comprar alguma coisa", comentou nesta segunda-feira, 26, após participar de seminário internacional de integração energética Bolívia-Brasil, promovido pelo Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel).

De acordo com Gama, o momento é bastante propício para investir nos EUA, porque o governo norte-americano quer ampliar os projetos voltados para energia limpa. "Antes mesmo do acidente no Golfo do México, o presidente (Barack) Obama já defendia a ideia de limpar a matriz energética americana", destacou.

Segundo ele, os EUA estão nos planos de curto prazo de internacionalização da estatal, mas assim como em outros países, a Eletrobrás só vai entrar em projetos que apresentam uma rentabilidade maior que no Brasil. O executivo explicou que, em 2007, foi feito um estudo dentro da empresa e foi identificado um conjunto de problemas motivados por fatores conjunturais e estruturais que impediam a companhia de ser mais competitiva. "Decidimos mudar este cenário com melhor governança e aumento de rentabilidade. Vamos aumentar esta rentabilidade com a internacionalização da empresa", disse, citando que, até 2020, os negócios da Eletrobrás fora do Brasil deverão representar 10% do faturamento.

A Eletrobrás estuda projetos de até 30 mil MW no exterior. "Mas é claro que não vamos entrar em todos", salientou Gama. Além dos EUA, estão nos planos de curto prazo da companhia usinas no Peru, na Argentina e na Nicarágua. No Peru, a ideia é construir cinco usinas, em um total de 7 mil MW. A primeira, de Ianambari, terá 2 mil MW e receberá investimentos de US$ 2,5 bilhões, metade para cada país. Da parte brasileira, 30% será de capital próprio da Eletrobrás e os outros 70% serão financiados.

Na Argentina, a Eletrobrás está promovendo o estudo de pré-viabilidade da usina de Garabi, de 3 mil MW. Na Nicarágua, a intenção é construir uma usina de 1 mil MW, cujas obras podem começar ainda este ano. Há ainda, segundo ele, estudos para a construção de uma linha de 500 quilômetros no Uruguai, que estão bastante avançados. Dois terços da linha estariam localizados dentro do Uruguai e o restante no Brasil. Portanto, a participação de cada país no investimento será proporcional. Ao Brasil, caberá investimento de US$ 60 milhões.

A Eletrobrás também vai disputar com outras seis empresas licitação para a construção de uma usina hidrelétrica na Colômbia, com capacidade de 2 mil MW. Outra usina, com capacidade de 6 mil MW, deve ser construída na Guiana, com possibilidade de exportar energia para o Brasil, e há ainda projetos para Costa Rica, El Salvador e Honduras. "Em outros países, o nível de competição é menor, porque não há escala. E outras empresas não procuram estes mercados, porque não conseguem margem adequada para atuar, porque não possuem a mesma sinergia que o Brasil tem, por estar na vizinhança destes países", disse.

Tudo o que sabemos sobre:
energiaEletrobrasusinainvestimentoEUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.