Eletropaulo investe mais para evitar apagões

Volume a ser aplicado entre 2010 e 2011 é 40% superior ao do período 2008/2009

Renée Pereira, de O Estado de S. Paulo,

18 de agosto de 2010 | 22h30

Depois da sequência de apagões ocorridos entre o final de 2009 e o início deste ano, a AES Eletropaulo decidiu reforçar os investimentos feitos em sua área de concessão, na Grande São Paulo. Até o ano que vem, a companhia vai aplicar R$ 1,4 bilhão em novas subestações, linhas de transmissão, rede de distribuição e manutenção. O valor é 40% superior ao do biênio 2008/2009.

No ano passado, os indicadores de qualidade de energia da distribuidora registraram piora significativa, assim como o resto do Brasil. O DEC, que mede o tempo que os consumidores ficam sem energia, subiu de 9,2 horas para 11,85. Em 2007, era de 8,9 horas; e em 2006, 7,87 horas.

O problema é que desde o início do ano a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mudou o critério para punir quem descumpre metas de qualidade dos serviços. Agora, as empresas são obrigadas a ressarcir o consumidor pelo tempo sem luz. Só no primeiro semestre, a AES Eletropaulo desembolsou R$ 16,9 milhões por causa dos apagões.

Para evitar que a conta suba, a empresa decidiu agir. Uma das frentes atacadas é a equipe de emergência, que faz o trabalho de religamento da rede. Segundo o diretor executivo de Operações da distribuidora, Sidney Simonaggio, o contingente foi elevado em 40%. No total, 1.200 novos profissionais foram treinados e vão trabalhar – a maioria – em empresas terceirizadas. O objetivo é reduzir o tempo de atendimento das ocorrências.

A área responsável pela poda de árvores também recebeu atenção especial, diz o executivo. O volume de serviços, que no ano passado foi de 140 mil podas, deverá atingir 340 mil em dezembro. Até agora já foi realizado o mesmo número de podas de 2009. Segundo Simonaggio, 61% dos desligamentos da AES Eletropaulo têm origem na vegetação, como a queda de árvores sobre a rede elétrica, e 9%, de descargas atmosféricas.

"O problema não é a chuva, mas o que vem com ela, como o vento e os raios. No último verão, o volume de chuvas foi 94% maior que a média histórica e as descargas atmosféricas, 76% maior." Só nas duas áreas, equipes de emergência e podas, serão investidos R$ 45 milhões.

O grosso do dinheiro previsto para o biênio, no entanto, vai para obras mais robustas, como a construção de três novas subestações, que vão beneficiar clientes das cidades Barueri, Santana de Parnaíba, Campo Limpo, Capão Redondo, Jardim São Luiz, Santo Amaro, Vila Andrade e Ermelino Matarazzo. Duas delas vão entrar em operação no primeiro semestre de 2011. A outra, será inaugurada apenas em 2012.

Esse tipo de investimento, explica o executivo, eleva a capacidade de atendimento ao cliente e reduz a dependência dos consumidores por apenas uma subestação. "Para suportar o nível de crescimento da rede, temos de construir 2,5 subestações por ano. É claro que não precisa ser necessariamente uma nova instalação, mas o aumento da capacidade de uma já existente."

Outra iniciativa importante adotada pela empresa foi o aumento da automação da rede. Nesse caso, a empresa vai instalar cerca de 1 mil religadores na rede de distribuição. Dependendo da ocorrência, esses equipamentos conseguem restabelecer o fornecimento de energia sem a intervenção humana.

O professor da UFRJ, Nivalde Castro, acredita que o aumento de investimentos feito pela Eletropaulo seja acompanhado por outras distribuidoras por causa das penalidades adotadas pela Aneel. Mas ele afirma que o volume de recursos a ser aplicado em manutenção precisa ser maior do que vem sendo anunciado pelas empresas. "Toda empresa quer investir em novos ativos, pois ela é remunerada por isso. No caso da manutenção, não."

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