Elfa/Divulgação
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Elfa, do fundo Pátria, compra fabricante de produtos hospitalares por quase R$ 1 bi

Companhia de logística para saúde do fundo de investimentos em empresas passará a ter faturamento anual de R$ 7,5 bilhões ao incorporar a Descarpack, que produz luvas, seringas e agulhas

Cristiane Barbieri, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2021 | 20h40

A empresa de logística para saúde Elfa comprou a Descarpack, que fabrica luvas, aventais, toucas, seringas, agulhas e outros itens chamados "consumíveis" no setor hospitalar, por R$ 943 milhões. Com a aquisição, a empresa passa a ter faturamento anualizado de R$ 7,5 bilhões e busca consolidar a posição de líder de mercado, que disputa com a Viveo, dona da marca Cremer.

A compra da Descarpark foi a maior entre as 19 já feitas pela Elfa desde que a empresa passou a ser administrada pelo fundo Pátria, em 2014. De lá para cá, foram investidos mais de R$ 2,5 bilhões em aquisições. O movimento permitiu que a empresa se transformasse de distribuidora regional, com sede em João Pessoa (PB) e faturamento de R$ 400 milhões, em uma das maiores da área no País, com 35 centros de distribuição, presença em todos os Estados e 11% de participação de mercado.

"O modelo de private equity (compra de participação em empresas) conecta empresas que atuam em mercados em crescimento a uma agenda de expansão forte, por meio de crescimento orgânico e não orgânico (fusões e aquisições)", diz José Antonio Vieira, presidente executivo da Elfa, conhecido como JAV. "Nossa meta é ser a 'one stop shop' (lugar onde se encontra tudo) para hospitais, e essa aquisição não só amplia a oferta de produtos como nos coloca como líderes em materiais consumíveis para hospitais."

O Pátria tem diversos investimentos no segmento de saúde. Além da Elfa Medicamentos, fazem parte do portfólio a empresa de saúde suplementar Athena Saúde, o Grupo Opty (de tratamento ocular) e o laboratório farmacêutico Natulab.

Estreia na Bolsa no horizonte

A aquisição será feita em parte com dinheiro e em parte com troca de ações. Com o prospecto de oferta inicial (IPO, na sigla em inglês) arquivado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Elfa diz não depender dos recursos da emissão para completar o negócio. A proporção de recursos a ser paga à Descarpack muda, caso o IPO da Elfa seja levado adiante. Recentemente, a empresa contratou os bancos Morgan Stanley, Citi, Santander, Credit Suisse e XP para a oferta. Sua concorrente Viveo fez um IPO em agosto, no qual captou R$ 2 bilhões.

Além de fortalecer sua presença junto aos hospitais, a aquisição da Descarpack também permite que a empresa crie uma área de prestação de serviços de gestão de estoques, com a proposta de otimização dos custos. A Elfa atende 7 mil hospitais, 250 mil clínicas e 700 planos de saúde, que têm 50 milhões de segurados. Na conta, estão clínicas dentárias e estéticas. A empresa também distribui produtos das áreas de órteses, próteses e materiais para cirurgia.

"Seja por meio de ofertas na Bolsa ou por meio de fundos, o mercado de saúde está muito líquido e os negócios estão acontecendo em todas as áreas correlatas, e não só em hospitais", diz Bruno Porto, sócio e líder de saúde da consultoria PWC. "Os consolidadores, principalmente ligados a fundos muito capitalizados, conseguem estudar nichos e áreas para explorar melhor e quanto mais dominam regiões e etapas da cadeia, mais eficientes são em termos de custos e tecnologia."

O negócio está sujeito à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas a empresa não espera ter problemas porque o mercado é bastante pulverizado.

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