Divulgação/Restoque
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Em ‘calote’, Restoque perde R$ 804 milhões em 2021

Dona de marcas como Le Lis Blanc, Dudalina e John John, a Restoque encerrou o quarto trimestre de 2021 com prejuízo de R$ 661 milhões, quase o dobro das perdas do mesmo período de 2020

Altamiro Silva Júnior e Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2022 | 05h00

A Restoque, empresa de vestuário e acessórios de alto padrão, dona de marcas como Le Lis Blanc, Dudalina e John John, encerrou o quarto trimestre de 2021 com prejuízo de R$ 661 milhões, quase o dobro das perdas de R$ 347 milhões no mesmo período de 2020. No ano todo, o prejuízo foi de R$ 804,3 milhões, ante os R$ 2 bilhões negativos de 2020.

A empresa comentou que seu desempenho foi afetado pelo contexto do primeiro semestre de 2021, por conta de limitações das atividades ainda em função da pandemia. Isso atingiu tanto produtividade das lojas físicas quanto dos centros de distribuição. Parte desse impacto foi compensada pelas operações digitais, segundo a Restoque.

Dívida

A companhia também informou que fechou o ano passado com uma dívida líquida de R$ 1,5 bilhão, a maior parte com vencimento em 2025. Ontem, após dois adiamentos do pagamento de juros de uma emissão de debêntures, a Restoque teve a nota de risco rebaixada pela Fitch para a categoria “restricted default” (calote restrito).

Há dúvidas entre os analistas da agência de classificação de risco se a empresa terá geração de caixa suficiente para honrar seus compromissos financeiros. A principal credora, a WNT Gestora de Recursos, quer converter os passivos em ações da varejista.

Segundo mensagem da administração, porém, a Restoque está no caminho de uma “potencial solução definitiva para a estrutura de capital da companhia”. Na divulgação do balanço, ontem, a empresa afirmou estar empenhada em construir e viabilizar uma estrutura que seja do interesse tanto da gestão da companhia quanto dos grupos interessados (stakeholders).

A empresa explicou que houve um incremento nas despesas com pessoal no ano passado em decorrência da recomposição do quadro de funcionários, “visando à expansão de áreas core (principais) na companhia”.

Em termos operacionais, a empresa destacou que sua receita bruta cresceu 40% no último trimestre do ano ante o mesmo período de 2020, para R$ 360 milhões. Só as vendas digitais somaram R$ 36 milhões no período, e a base ativa de clientes do e-commerce cresceu 46%.

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