Em discurso, Lula defende programa brasileiro de biocombustíveis

Brasília, 17 - Em discurso no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o programa brasileiro de biocombustíveis. Segundo ele, "podem chorar ou falar as mentiras que quiserem do Brasil", mas os biocombustíveis serão uma realidade no País daqui a 20 anos.O CDES implementou um grupo de trabalho para discutir o programa de biocombustível, que começará a discussão no dia 16 de agosto. "Na coordenação deste grupo de trabalho é preciso que se junte o que há de melhor neste País porque o biocombustível será um acontecimento inexorável", disse o presidente.Lula lembrou que esteve recentemente na Europa para discutir o assunto e rebateu as críticas ao programa brasileiro. Segundo ele, o petróleo não vai acabar, mas os biocombustíveis serão a melhor forma para reduzir a emissão de CO2. "Não tenho dúvida de que é a forma mais prudencial, mais economicamente viável e mais ambientalmente correta", disse Lula. O presidente rechaçou as críticas de que biocombustíveis provocarão falta de alimentos. Segundo ele, as 850 milhões de pessoas que passam fome no mundo não são resultado de falta de alimentos, mas de alta de renda para comprá-los.O presidente disse que o grupo de trabalho terá "um bom pepino nas mãos" e terá que discutir questões como o direito de propriedade no Brasil. "Teremos que discutir se essas terras poderão ser vendidas para estrangeiros ou se terão que ficar nas mãos de brasileiros", disse Lula. Ele acrescentou que é necessário ter uma estratégia correta para o programa de biocombustíveis, para ajudar o Brasil, os países em desenvolvimento e o planeta.Ainda em relação às críticas ao programa, Lula disse que os portugueses foram tão inteligentes que trouxeram a cana para o Brasil e não a levaram para a Amazônia, porque lá não se produz cana. Lula disse que é preciso vivenciar os dois lados da moeda pra saber "quanta coisa a gente fala sem ter informação". Ele disse que lembra da sua época de sindicato quando falava coisas porque estavam na moda, mas não tinham substância. "Porque no concreto, no pão pão, queijo queijo, a discussão não pode ser ideológica".Lula disse que é preciso encontrar um denominador comum para aperfeiçoar o programa do álcool, que nasceu no sufoco em 1975. O presidente disse ainda que o programa do biocombustível será tratado com status de soberania nacional. "Não podemos brincar com isso, como aconteceu com a borracha", disse o presidente, acrescentando que o Brasil perdeu soberania e hegemonia da borracha porque não tinha uma estratégia. Lula afirmou que "era tanta chiquesa que a elite brasileira que saía do Sul para cuidar da borracha na Amazônia mandava a roupa para lavar em Paris". "Imagina um cidadão esperar seis meses por uma cueca", disse Lula. O presidente afirmou que, com os biocombustíveis, não se pode perder esta oportunidade e alertou aos sindicalistas presentes no Conselho que é preciso definir a relação entre capital e trabalho neste momento em que o programa ainda é novo.O presidente elogiou a criação do flex fuel. Segundo ele, esse foi um "filé mignon" importante para a base de desenvolvimento de um setor estratégico. Ele disse que, a partir do ano que vem, já haverá a mistura do biodiesel no óleo diesel, mas que esse porcentual não será maior porque a indústria automotiva teve medo e o governo ficou acanhado.Lula disse que viajará a vários países para divulgar o programa. "Quem quiser falar comigo, agora, fale o que quiser, mas vai ouvir sobre os biocombustíveis. O Brasil não pode abrir mão de dominar porque país nenhum do mundo tem as condições para produzir, como o Brasil", disse o presidente.

Renata Veríssimo

17 de julho de 2007 | 15h11

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