Em encontro do G-20, Dilma critica atuação do BC dos EUA

Fed sinalizou recentemente que pretende reverter a política monetária frouxa adotada ao longo dos últimos anos nos Estados Unidos 

Fernando Nakagawa, enviado especial da Agência Estado,

06 de setembro de 2013 | 10h05

SÃO PETERSBURGO, RÚSSIA - A presidente Dilma Rousseff fez uma crítica à atuação do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) que sinalizou recentemente que pretende reverter a política monetária frouxa adotada ao longo dos últimos anos nos Estados Unidos. Em meio à uma confusão diplomática com o presidente dos EUA, Barack Obama, pela suspeita de espionagem sobre o governo brasileiro, Dilma disse que "houve um problema de comunicação (do Fed) com o mercado".

Dilma fez a afirmação durante o encontro do G-20, que ocorre em São Petersburgo, na Rússia, nesta sexta-feira. Líderes se reuniram para a foto oficial nesta manhã. A presidente já deixou a Rússia, onde participou da reunião de cúpula do órgão.

 Segundo Dilma, o tema foi debatido pelos membros da reunião de cúpula do G-20, em especial os países em desenvolvimento e emergentes. "Isso foi muito insistido pelos países: para que houvesse melhor comunicação com os mercados e para que houvesse uma transição mais tranquila", disse, após observar que muitos países emergentes viram "perda de valor de ativos" com o início da sinalização de reversão da política monetária dos EUA.

"Ninguém ficou discutindo se cabia ou não cabia essa medida. Mudou a conjuntura. Foi dado que essa é uma decisão doméstica, mas que há spill over (transbordamento da medida). Não é uma avaliação de valor. É diferente, é um outro tipo de postura. Mas tem de tomar providência. Não pode nem comunicar mal, nem fazer uma transição abrupta", disse Dilma.

Coordenação de políticas  

A perspectiva de reversão da política monetária nos Estados Unidos é um tema de especial preocupação dos países emergentes e em desenvolvimento no G-20, afirmou Dilma. "Todos os participantes entendem que é importante haver um papel de coordenação das políticas econômicas, especialmente nas economias avançadas do G-20", disse.

Dilma comentou que os principais países do G-20 concordam que há sinais cada vez mais frequentes de recuperação de algumas economias desenvolvidas, mas que essa reação ainda é frágil e incentivos são necessários. Diante desse cenário de recuperação das economias, Dilma falou que a principal preocupação, especialmente entre países emergentes, é a perspectiva de reversão da política monetária nos Estados Unidos.

"Ao sair da atual política monetária, especialmente no caso do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano), o que não for bem comunicado, e se não for feito de uma forma muito cuidadosa, pode afetar países em desenvolvimento", afirmou Dilma Rousseff. A presidente reforçou ainda a defesa de reforma de instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e também do sistema financeiro global.

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