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Em Londres, Lula diz que solução para crise externa é política

Segundo ex-presidente, o sistema financeiro ‘não pode achar que é dono do mundo’ e o mercado ‘não tem solução para todos os problemas’

Daniela Milanese, correspondente da Agência Estado,

30 de setembro de 2011 | 09h25

A crise internacional será resolvida com decisões políticas, e não econômicas, afirmou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele criticou a falta de atitude das lideranças europeias para combater os problemas na região. "Não dá para a crise ser tratada do jeito que está sendo", disse, em palestra durante evento da revista The Economist, em Londres.

O ex-presidente afirmou que essa foi a lição aprendida com sua experiência, pois nasceu, passou a infância, adolescência, vida sindical e campanha eleitoral em meio a crises. Segundo ele, quando a crise era no Brasil o Fundo Monetário Internacional (FMI) "tinha todas as soluções" e o Banco Mundial dava "todos os palpites" quando era a Colômbia que estava com problemas.

Lula acredita que a Grécia não deveria estar gerando tantos problemas para a economia mundial em razão do seu tamanho pequeno. Entretanto, a falta de soluções fez com que a crise se alastrasse para outros países. "Quanto custou para criar a União Europeia e quanto vai custar para destruí-la?", questionou. Para ele, a construção da UE é um "patrimônio da humanidade" e não se pode abrir mão disso.

Lula também acredita que a solução dos problemas atuais passa pelo aumento do número de consumidores europeus, como ocorreu com o Brasil ao longo de seus dois mandatos.

Segundo ex-presidente, o sistema financeiro "não pode achar que é dono do mundo" e o mercado "não tem solução para todos os problemas". Os participantes do mercado continuam recebendo bônus e se "acham gênios", afirmou. "Não podemos ter um sistema financeiro que funcione na mentira", afirmou.

Ricos devem pagar mais impostos

Lula disse ainda que, se alguém tiver de pagar mais impostos no exterior como resultado da crise, que sejam os ricos. Ainda assim o ex-presidente disse que tem dúvidas sobre a eficácia da elevação de impostos, pois acredita que a crise não é resultado da falta de recursos, mas sim da falta de responsabilidade.

O ex-presidente encerra hoje a agenda internacional que incluiu Washington (EUA), Paris (França), Gdanski (Polônia) e Londres (Inglaterra).

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