Sergio Castro|Estadão
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Em meio à crise, Jaguar Land Rover inaugura fábrica de R$ 750 milhões no País

Fábrica em Itatiaia, no Rio de Janeiro, é a primeira da marca fora do Reino Unido e poderá produzir 24 mil veículos por ano

Mariana Durão, enviada especial, O Estado de S.Paulo

14 Junho 2016 | 10h33
Atualizado 14 Junho 2016 | 10h33

ITATIAIA - A Jaguar Land Rover inaugurou nesta terça-feira, 14, em Itatiaia, no sul fluminense, sua primeira fábrica própria fora do Reino Unido. Após investimento de R$ 750 milhões, a unidade de veículos premium começa a operar em meio à recessão e em um momento crítico para o setor automotivo brasileiro. As mais recentes projeções divulgadas pelas montadoras traçam cenário desanimador em relação a 2015: queda de 19% nas vendas e de 5,5% na produção, que voltará ao patamar de 12 anos atrás. 

Com capacidade instalada para produzir até 24 mil veículos por ano, a fábrica vai operar no ritmo ditado pela demanda. A produção começa em 12 veículos por dia, apenas 15% do potencial. O destino é o mercado doméstico, mas o grupo não descarta exportações para países vizinhos no futuro.

“Não há planos de exportar no momento, mas isso pode mudar em alguns anos”, disse, durante a cerimônia de inauguração, o diretor executivo global de manufatura da Jaguar Land Rover, Wolfang Stadler. O executivo minimizou os efeitos da crise política e econômica no Brasil. “Não estamos preocupados com o sobe e desce da economia. A fábrica é um investimento de longo prazo e mostra confiança no País”.

Maior fabricante de carros do Reino Unido, a Jaguar Land Rover vai gerar 400 empregos diretos e mil indiretos no Brasil. A empresa produzirá inicialmente os modelos Range Rover Evoque e Discovery Sport, vendidos a partir de R$ 224 mil e R$ 212,5 mil, respectivamente. O grupo tem 35 concessionárias no País. A aposta é no avanço do mercado local de veículos premium, que hoje abocanha fatia de apenas 2,5%, ante 10% em mercados maduros.

De janeiro a maio as vendas totais de veículos somam 811,7 mil unidades, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), recuo de 26% ante 2015. Ao contrário do ano passado, as marcas do segmento de luxo também enfrentam queda acentuada nas vendas, casos de Audi (-25,7%), BMW (-30,2%) e Mercedes-Benz (-30,4%). 

A Land Rover tem vendas menores em termos absolutos, mas registra queda bem menor nos números, de 4,1%, com 3.354 veículos. A marca de super luxo Jaguar teve salto de quase 80%.

Na prática, a planta de Itatiaia ainda funciona apenas como linha de montagem. Parte significativa dos componentes do carro ainda vem da Inglaterra, como a carroceria. O índice de nacionalização deve evoluir segundo as exigências do programa Inovar-Auto, do governo federal. O regime tributário prevê desconto de até 30% no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de automóveis, desde que cumpridas contrapartidas pelas montadoras. 

O grupo estima atingir um processo de produção mais completo em Itatiaia apenas em 2020. Até lá, serão construídas as áreas de pintura e armação de carroceria, já incluídas no orçamento. Alguns componentes nacionais já são usados, como bancos, escapamento, vidros e módulos eletrônicos.

O presidente da Jaguar Land Rover para a América Latina e Caribe, Frank Wittemann, admitiu que o setor passa por uma situação difícil. “Não está muito aquecido em 2016, mas esperamos manter o mesmo nível de vendas do ano passado”, disse.

O executivo enxerga o início da recuperação da economia em 2017. Questionado sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, foi lacônico: “É importante que o mercado se estabilize”.

Movimento. Controladas desde 2008 pela indiana Tata Motors, as marcas britânicas têm também fábrica na China, em parceria com a local Chery, uma unidade de montagem na Índia e outra em construção na Eslováquia. A planta no Brasil é a única 100% da Jaguar Land Rover fora do Reino Unido. Sua inauguração ocorre um ano e meio após o lançamento da pedra fundamental, em 2014. O grupo é o quarto fabricante de carros de luxo a abrir uma unidade no Brasil em dois anos, seguindo as alemãs BMW (2014), Audi (2015) e Mercedes-Benz (em março).

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