Em resposta a Obama, republicanos pedem corte de gastos

Presidente dos EUA defendeu a necessidade de gastos federais em áreas como educação, infraestrutura de transporte e energia renovável

Hélio Barboza, da Agência Estado,

26 de janeiro de 2011 | 08h48

Os deputados republicanos usaram sua resposta ao discurso do presidente Barack Obama sobre o Estado da União para reforçar o argumento de que entregarão um governo financeiramente saudável para o povo americano. Respondendo na TV às declarações de Obama, o presidente da Comissão de Orçamento da Câmara de Representantes, o republicano Paul Ryan, insistiu na tese de que antes que seus colegas de partido aceitem uma ampliação no limite de endividamento do país os "cortes de gastos têm de vir primeiro".

A próxima proposta orçamentária dos republicanos "mostrará como pretendemos fazer as coisas diferentemente, como cortaremos os gastos para conseguir a redução da dívida, ajudar a criar empregos e prosperidade e reformar os programas do governo", afirmou o deputado pelo estado de Wisconsin.

Em seu discurso, Obama defendeu a necessidade de gastos federais em áreas como educação, infraestrutura de transporte e energia renovável, dizendo que são necessários para garantir a competitividade da economia americana nas futuras gerações. Ryan rejeitou a ideia de que há "investimentos" que o governo federal deva fazer nestas áreas, dizendo que eles são nada mais que "estímulos 'reempacotados'". Ele declarou que tais despesas são mais uma prova da intromissão democrata no setor privado.

O congressista procurou mostrar o aumento necessário no limite de endividamento como consequência direta dos estímulos implementados pelo governo Obama e pelos congressistas democratas durante os últimos dois anos. Ryan disse que os estímulos não conseguiram recuperar a economia, como evidenciado, segundo ele, pela taxa de desemprego, que permanece em 9,4%.

Os democratas alegam que o rápido crescimento dos níveis de endividamento do governo federal tem a ver com os cortes de impostos da era Bush, com uma expansão do programa de assistência médica Medicare a fim de pagar medicamentos para idosos e com os custos das guerras no Iraque e no Afeganistão. Ryan pediu medidas para reduzir drasticamente o déficit e a dívida de longo prazo, fazendo comparações com as crises econômicas da Grécia, da Irlanda e de Portugal. "O dia de pagar a conta chegou para eles", afirmou. "O nosso está próximo, por isso temos de agir agora."

Assim como o discurso de Obama, as declarações de Ryan não especificaram como os republicanos cortariam os gastos do governo. Fervoroso conservador em questões orçamentárias, Ryan foi escolhido pela liderança republicana na Câmara como o homem-chave para tentar reduzir drasticamente os gastos do governo federal. As informações são da Dow Jones.

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