Embargo russo a carnes agrava crise da suinocultura em MG

Segundo Acrismat, setor vem operando no vermelho há seis meses, por causa do descompasso entre o custo de produção e os preços recebidos na venda dos animais; prejuízo já é de 53%

Venilson Ferreira, da Agência Estado,

28 de junho de 2011 | 16h26

A alta dos preços dos grãos e a suspensão das compras de carnes pela Rússia e Ucrânia estão assustando os produtores de suínos mato-grossenses. Segundo a Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso, (Acrismat), há seis meses o setor vem operando no vermelho, em função do descompasso entre o custo de produção e os preços recebidos na venda dos animais. O custo está estimado em R$ 2,15/quilo, enquanto o preço pago pelos frigoríficos é de R$ 1,40/quilo. O prejuízo é de 53%.

A crise enfrentada pela suinocultura mato-grossense é decorrente da alta do preço do milho, que subiu 125% em relação ao ano passado. Atualmente, os criadores estão pagando R$ 18/saca pela saca de 60 quilos de milho, situação bem diferente do primeiro semestre do ano passado, quando o preço estava em R$ 8/saca, valor bem abaixo do preço mínimo de garantia estipulado pelo governo federal, que na época era de R$ 13,98/saca.

O diretor-executivo da Acrismat, Custódio Rodrigues, não vê solução no médio prazo, pois a carne suína vem se desvalorizando no mercado interno desde o início do ano e a tendência é de aumento da oferta e maior pressão sobre os preços, em função do embargo imposto pela Rússia, que é o principal destino das exportações. De janeiro a maio deste ano as exportações mato-grossenses de carne suína recuaram 25% em volume e 20% em faturamento, em relação a igual período do ano passado.

Para contornar a situação e evitar que os prejuízos aumentem, os suinocultores vão pedir ajuda aos governos estadual e federal, como a redução da pauta do ICMS para as vendas interestaduais e acesso aos mecanismos de apoio como acesso ao milho dos estoques públicos e subvenção para o escoamento do produto. Segundo a Acrismat, atualmente existem 350 produtores no Estado, donos de um plantel que reúne mais de 120 mil matrizes, (leitoas reprodutivas), distribuídas em granjas de 34 municípios e que geram mais de 30 mil empregos diretos e indiretos.

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