Epitacio Pessoa/Estadão
Epitacio Pessoa/Estadão

Embark Beyond, de turismo de luxo, chega ao Brasil de olho na retomada do setor

Empresa americana, que busca associar as agências de turismo de luxo em seu guarda-chuva, aos moldes do que a XP fez no mercado de investimento, prevê faturar R$ 100 milhões ao ano no País

André Jankavski, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2021 | 15h00

Com o avanço da vacinação e a consequente queda dos casos de covid em todo o mundo, a expectativa é alta para a retomada do turismo. O ânimo é especialmente forte no segmento de luxo, no qual os consumidores não foram tão afetados pela crise econômica e ainda economizaram um bom dinheiro sem viagens no período de quarentena. É nesse cenário que a americana Embark Beyond, que conecta agências de turismo de luxo, desembarca no Brasil.

Criada em 2019 pelo americano Jack Ezon, a Embark Beyond nasceu com o intuito de dar escala a um negócio de nicho: o turismo de altíssimo padrão. Porém, em vez de criar uma cadeia de agências própria, como a CVC fez com a classe média no Brasil, a rota da Embark Beyond foi montar um sistema no qual diversas agências que atendem a clientes endinheirados pudessem ter economias similares às vistas nos grandes grupos. Com isso, a empresa conseguiu alcançar vendas de US$ 175 milhões com dois anos de existência.

"Queremos fazer a XP do turismo", afirma o empresário Tomas Perez, dono da Teresa Perez Tours, uma das butiques do setor no País, e que se associou a Ezon para trazer a Embark Beyond ao Brasil. Trata-se de uma joint-venture que já está em busca de mais agências brasileiras. A meta é chegar a 50 associados nos próximos três anos e a um faturamento anual de R$ 100 milhões. 

Para isso, a empresa quer mostrar aos futuros associados os benefícios de estar dentro da Embark Beyond, que conta com viagens e experiências mais exclusivas, com opções desde refúgios gastronômicos nos rincões do País Basco até a realização do heliski na Escandinávia, passeio que consiste em levar esquiadores em helicópteros para as montanhas mais intocadas.

Além disso, a Embark Beyond afirma que todos os mimos que os clientes desse mercado gostam estarão inclusos - como estar com seu uísque preferido a postos na hora em que o cliente chegar ao hotel. 

Para os agentes de viagem, segundo Sylvia Silva, executiva responsável pela operação, a Embark Beyond promete entregar as ferramentas para facilitar o dia a dia do negócio. "A ideia é oferecer tudo em um lugar só, desde ferramentas de marketing até destinos exclusivos, mas com o cliente tendo a autonomia que ele quiser", afirma.

De acordo com Cris Nogueira, que tem uma agência homônima e se tornou uma das afiliadas, a associação com a Embark Beyond fez sentido, pelo acesso a novas ofertas. "A Cris Nogueira sozinha tem força, mas com a associação eu consigo acesso a locais que não teria, por não ter um volume grande de viagens. Também consigo, por exemplo, ingressos para colocar meus clientes no melhor lugar de um show ou de um evento esportivo, como o US Open", diz.

As margens da comissão são divididas entre a Embark Beyond, que fica com 30%, e a agência, que retém 70%. Mesmo assim, Cris afirma que o negócio é benéfico pelas opções mais variadas aos clientes. "Consigo organizar viagens mais exclusivas e únicas, para pessoas que são super exigentes", afirma. 

'Turismo de revanche'

A Embark Beyond chega ao Brasil em um momento positivo para o setor de viagens. Ainda sem uma terceira onda de covid à vista, as companhias aéreas estão retomando voos, assim como os destinos internacionais voltam a aceitar os viajantes do Brasil. Com isso, é esperado que os brasileiros gastem mais, para compensar o tempo em casa.

Não à toa, as empresas de turismo estão registrando números mais positivos. A CVC deve apresentar os resultados do terceiro trimestre na sexta-feira, 12, mas o presidente da companhia, Leonel Andrade, já afirmou ao Estadão que “o turismo está em seu melhor momento desde o início da pandemia."

De acordo com a consultora Marta Borges, da Strategia Turismo, o segmento de luxo deve ser um dos mais beneficiados pela retomada por conta do "turismo de revanche". “As pessoas deixaram de gastar e agora podem fazer viagens até mais caras para compensar", diz ela.

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