Embraer acredita que divisão de defesa puxará crescimento em 2012

Segundo a empresa, parte considerável das encomendas devem vir do Brasil, principalmente por causa da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

17 de novembro de 2011 | 17h57

A Embraer, quarta maior fabricante mundial de aeronaves do mundo, acredita que sua divisão de defesa vai liderar o crescimento da companhia no ano que vem, com uma expansão de "dois dígitos", e responder por um quinto da receita total nos próximos anos, de acordo com o executivo-chefe da companhia, Frederico Curado.

Segundo ele, boa parte das encomendas da divisão de defesa deve vir do Brasil, que acumula décadas de déficits de investimento em seu aparato de segurança. A necessidade de melhorias tornou-se ainda mais urgente diante da proximidade de eventos como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016, que serão sediados aqui, e do desenvolvimento das reservas de petróleo em alto-mar.

A Embraer também pretende fazer negócios com as forças armadas de países com os quais o Brasil possui uma longa relação, entre eles os da América Latina, do Sudeste da Ásia e da África, e está esperando os resultados de uma licitação nos EUA na qual ofertou seus aviões Super Tucano.

A divisão de defesa da companhia, que ganhou uma unidade própria no ano passado, já entregou aviões para Chile, Colômbia, República Dominicana e Equador, além de ter assinado contratos com a Indonésia e ter sido sondada por potenciais clientes da Europa. "No setor de defesa, nos somos um player de nicho, mas é nele que vemos o maior crescimento", disse Curado, que ocupa a posição de executivo-chefe há cinco anos.

A receita da Embraer provavelmente vai crescer cerca de 7% neste ano, para aproximadamente US$ 5,7 bilhões, puxada principalmente pelas vendas de aviões comerciais e executivos. As vendas de aeronaves militares devem responder por 10% das vendas. Em 2012, o segmento de defesa deve apresentar crescimento de dois dígitos, enquanto os demais devem ter uma expansão de um dígito, segundo Curado.

A companhia acredita que em alguns anos a receita militar deve ser equivalente a 20% das vendas totais. A principal fatia, de 50%, ainda será detida pelo segmento de aeronaves comerciais, enquanto os aviões executivos devem responder por 20% do total de vendas. Os 10% restantes viriam do segmento de serviços.

Curado disse que a decisão do Brasil sobre qual será o novo jato da Força Aérea será importante, pois a Embraer vai trabalhar com qualquer que seja o vencedor da concorrência para adaptar os aviões às necessidades locais. Ele ressaltou, no entanto, que o desenvolvimento do jato de transporte KC-390 é mais significativo, visto que acrescentará um produto à linha da companhia.

Apesar do otimismo generalizado com o papel dos países emergentes na manutenção do crescimento econômico mundial, Curado discorda que a demanda dessas nações vai suprir a redução nas encomendas de aeronaves da Europa e dos EUA. Segundo ele, os mercados emergentes "não são tão abertos e desenvolvidos quanto os mercados desenvolvidos".

"Não vejo o comércio internacional avançando tanto quanto avançava antes da crise (de 2008). Também não vejo o apocalipse. A perspectiva geral para o mundo não é brilhante. Vemos pequeno crescimento à frente se considerarmos o PIB mundial como média."

A Embraer possui US$ 300 milhões em caixa, posição "confortável", segundo Curado. Ele acrescentou que esse tipo de reserva é essencial para fabricantes de aeronaves, especialmente durante períodos de volatilidade econômica e financeira, visto que mais liquidez ajuda a compensar eventuais mudanças em encomendas e nas negociações com fornecedores.

Diante desse prognóstico, a Embraer desistiu de fabricar uma família maior de aviões para competir diretamente com a Airbus e a Boeing. Em vez disso, a empresa vai se concentrar em manter sua atual posição de mercado e está conversando com clientes para determinar quais são suas necessidades em relação a motores.

No ano que vem, a Embraer provavelmente vai escolher entre General Electric, Pratt & Whitney e Rolls Royce para decidir quem será a fabricante de seus novos motores. Depois disso, a empresa provavelmente precisará projetar novamente as asas de seus aviões e os novos modelos devem chegar às linhas de montagem em 2018.

A companhia também está negociando com o governo da China para completar o licenciamento de sua fábrica no país e para produzir jatos executivos da família do Legacy 600, visto que não conseguiu autorização para fabricar aeronaves de maior porte, disse Curado.

As informações são da Dow Jones.

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