Roslan Rahman/ AFP
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Embraer tem prejuízo líquido ajustado de R$ 428 milhões no primeiro trimestre deste ano

A companhia frustrou o mercado no último dia 19 ao anunciar entregas de 14 jatos no trimestre (seis comerciais e oito executivos)

Luísa Laval e Juliana Estigarríbia, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2022 | 08h17

Apesar do resultado fraco da Embraer no primeiro trimestre, com prejuízo líquido ajustado de R$ 428 milhões, o mercado avalia com otimismo o desempenho da companhia para 2022. Os papéis da fabricante brasileira lideram as altas do Ibovespa nesta tarde, com ganhos de 6,28% por volta das 15h15. A empresa reiterou suas projeções (guidance) de entregas para 2022 e estimou redução do endividamento até o fim do ano, apesar das incertezas no cenário global.

A companhia frustrou o mercado no último dia 19 ao anunciar entregas de 14 jatos no trimestre (seis comerciais e oito executivos). O consenso no mercado era de volumes maiores. O BTG Pactual, por exemplo, estimava entregas de 17 aeronaves.

Segundo a fabricante, os resultados do período foram impactados pela paralisação das linhas da aviação comercial em janeiro, quando a empresa realizou a reintegração dos sistemas de tecnologia da informação e processos do negócio. Isso fez com que a produção ficasse paralisada durante quase todo o mês de janeiro. “Não houve surpresas no resultado do período, tudo foi alinhado com os clientes”, disse a jornalistas o CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto.

Passada a frustração, o mercado se animou nesta quinta-feira. “Com base nas informações (de entregas do trimestre), os analistas ajustaram suas projeções. Com o dólar enfraquecido em relação ao real, era esperado um resultado mais fraco. O que ajuda é que a empresa sinalizou melhora de resultados à frente”, avalia o analista da Mirae Asset, Pedro Galdi.

Na visão do BTG Pactual, os números vieram em linha com o esperado. Segundo os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Aline Gil, apesar dos indicadores fracos do período, o banco continua com recomendação de compra para a Embraer, com expectativa de fundamentos sólidos no longo prazo e a monetização da iniciativa do eVTOL (carro voador) da EVE, o que representa “uma oportunidade interessante”.

A XP apontou em relatório que a empresa reportou sólido desempenho do fluxo de caixa, com geração de caixa livre consumindo US$ 68 milhões. Apesar de ainda estar no vermelho, os analistas apontam que foi o melhor indicador de geração de caixa livre (FCF) em um primeiro trimestre desde 2010, refletindo a otimização do capital de giro da empresa.

Ao mesmo tempo, a corretora destaca a melhora da margem bruta em todas as divisões da companhia, com destaque para a divisão comercial, com margem bruta de 11,3%, mais próxima dos níveis de 2019, e a divisão executiva, que permaneceu em patamar elevado de 18,7%.

 O Itaú BBA, por sua vez, chamou a atenção para as despesas de reintegração e arbitragem relacionadas à tentativa de fusão com a Boeing, que continuaram representando ventos contrários significativos no período. Ainda assim, o banco acredita que a Embraer conseguirá atingir seu guidance para 2022.

Endividamento

 O CFO da Embraer, Antonio Garcia, estimou que a companhia deve alcançar uma alavancagem (medida pela relação dívida líquida sobre o Ebitda) de três vezes ao final do ano. No primeiro trimestre, o indicador marcava 3,7 vezes. “Esperamos um resultado melhor neste ano em função de uma geração de caixa positiva. Para 2023, projetamos alavancagem menor do que 3 vezes.”

Ele acrescentou que a companhia vê um desempenho melhor em todas as unidades de negócios. Sobre o horizonte de curto e médio prazo, Gomes afirmou que a guerra na Ucrânia em si não está trazendo impacto negativo para a Embraer, embora haja dificuldades para receber equipamentos e peças no momento correto para produção.

“Vários fornecedores estão enfrentando dificuldades, seja por falta de semicondutores ou outros componentes, o que está provocando atrasos, mas nada que comprometa nosso guidance”, assegurou.

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