Reuters/Nacho Doce
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Embraer cita Brexit como risco para a indústria da aviação global

A companhia brasileira alega que o Brexit pode causar uma desaceleração econômica na Europa

Márcio Rodrigues, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2019 | 16h43

A Embraer citou o Brexit, como é chamado o processo de saída do Reino Unido da União Europeia, como uma "ameaça" à indústria de aviação, pois pode causar uma desaceleração econômica na Europa. "No longo prazo, acreditamos que ainda haverá uma recuperação econômica gradual da Zona do Euro que, combinada com baixos retornos devido a competitividade da área de aviação e dos altos custos regulatórios, pode gerar um ambiente de pressão sobre as receitas", disse a empresa no formulário 20-F arquivado na Securities and Exchange Commission (SEC, a comissão de valores mobiliários dos EUA).

A Embraer estimou que o Brexit deva ser efetivado em breve, mas ressaltou que as futuras relações após a saída do Reino Unido permanecem incertas. Vale notar que, na última sexta-feira, o Parlamento britânico rejeitou pela terceira vez o plano apresentado para a saída do Reino Unido apresentado pela primeira-ministra Theresa May.

"O Reino Unido possui a maior indústria de aviação da Europa e uma posição geográfica chave na rede. Alterações nas relações entre o Reino Unido e a União Europeia poderiam ter implicações consideráveis para todas as empresas. No seu conjunto, a União Europeia é o maior mercado de destino único do Reino Unido, representando mais de 50% dos passageiros e 60% dos voos comerciais regulares", afirmou a Embraer. "Tendo em conta os países que têm acesso à aviação única como membros do Espaço Europeu Comum de Aviação (ECAA), que inclui Islândia, Noruega e uma série de países, a importância do acesso ao mercado (do Reino Unido) torna-se ainda mais significativa".

Segundo a companhia brasileira, "espera-se que o Brexit apresente um choque negativo significativo para a economia do Reino Unido e, por extensão, para a demanda por viagens aéreas também".

A Embraer citou que a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) estimou que o impacto econômico direto para o mercado de passageiros do Reino Unido, com o Brexit, deve ser negativo de 3% a 5% em 2020 quando comparado com um quadro sem o Brexit. "Um cenário econômico mais frágil nos próximos anos forçará as companhias aéreas a se concentrarem ainda mais em fazer melhorias para reduzir os fatores de pressão sobre o breakeven e aumentar a eficiência de capital".

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