Roosevelt Cassio|Reuters
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Embraer corta custos e abre plano de demissão para economizar US$ 200 milhões

Aérea informa que ainda estuda definições do programa, mas que oferece pacote de benefícios atraente; montante a ser poupado é o mesmo provisionado pela companhia relacionado a ação nos EUA

Victor Aguiar, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2016 | 18h31

A Embraer informou nesta segunda-feira, 8, aos seus empregados que irá adotar uma série de medidas visando a redução de custos em todas as suas unidades e negócios em todo o mundo, incluindo a redução de estoques e a revisão de contratos com fornecedores. Entre as iniciativas a serem tomadas também está a adoção de um Plano de Desligamento Voluntário (PDV) para funcionários das unidades do Brasil.

"A Embraer entende que o PDV dá a oportunidade de decisão ao funcionário e oferece um pacote atraente de benefícios", diz a Embraer, em e-mail, respondendo aos questionamentos do Broadcast, notícias em tempo real do Grupo Estado. "Todas as definições relativas ao PDV estão ainda sendo estudadas e serão divulgadas ao término desse processo, que deve levar algumas semanas".

Segundo a Embraer, o objetivo é economizar cerca de US$ 200 milhões com o conjunto de medidas para a revisão de custos, incluindo o PDV. Este é o mesmo montante provisionado pela companhia no segundo trimestre de 2016, relacionado à investigação nos Estados Unidos sobre alegação de "não conformidade" com o U.S. Foreign Corrupt Practices Act (FCPA).

Em seu balanço trimestral, a companhia explica que esse montante é uma estimativa de um "provável desfecho" de negociações, mas salienta que o valor ainda não foi "finalmente determinado". Desde 2010, a Securities and Exchange Commission (SEC) e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos questionam a companhia por suspeitas de irregularidades na venda de aeronaves fora do Brasil. Em 2016, conforme descreve a Embraer, as negociações com as autoridades americanas progrediram "significativamente".

Em nota, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos afirma que não apoia o PDV ou qualquer outra medida que penalize os trabalhadores e que irá questionar a Embraer em uma reunião marcada para quarta-feira (10), às 15h.

Dificuldades. O anúncio ocorre em meio a um contexto de dificuldades enfrentadas pela Embraer, o que fez com que a companhia revisasse, no fim de julho, as suas estimativas de entregas de aeronaves para 2016. Segundo a empresa, os negócios no setor de jatos executivos estão mais difíceis do que o esperado neste ano, "com pressão contínua sobre novas vendas de jatos", ressaltando, ainda, a influência dos altos níveis de estoques de aeronaves usadas e o ambiente altamente competitivo que tem influenciado as transações.

Com isso, a Embraer reduziu sua previsão de entregas de jatos executivos, para a faixa entre 70 e 80 jatos leves e de 35 a 45 jatos grandes, ante as estimativas iniciais de 75 a 85 e 40 a 50, respectivamente. Com isso, a companhia também passou a esperar uma menor receita líquida do segmento, agora entre US$ 1,6 bilhão e US$ 1,75 bilhão, abaixo do patamar entre US$ 1,75 a US$ 1,90 bilhão anteriormente previsto.

Adicionalmente, a companhia também reduziu a previsão de "outras receitas", para US$ 50 milhões, dos US$ 100 milhões estimados anteriormente, levando a uma diminuição da receita líquida consolidada no exercício para US$ 5,8 bilhões a US$ 6,2 bilhões, frente o intervalo anterior de US$ 6 bilhões a US$ 6,4 bilhões.

As estimativas de entregas e receitas dos segmentos de Aviação Comercial e de Defesa & Segurança para o ano permanecem inalteradas.

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