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Super Tucano vai combater o terror islâmico na Nigéria

O valor do negócio é estimado em US$ 250 milhões; primeiro lote, de quatro unidades, deverá ser entregue no segundo semestre

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2019 | 04h00
Atualizado 08 de fevereiro de 2019 | 18h51

O governo da Nigéria revelou há dois dias em Abuja, a capital do país, a decisão de comprar 12 aviões de ataque leve A-29 Super Tucano, da Embraer Defesa & Segurança (EDS). A aeronave turboélice brasileira será configurada para emprego em missões de suporte aéreo tático no combate contra os extremistas do movimento Boko Haram. O valor do negócio, estimado por especialistas do mercado em cerca de US$ 250 milhões, não foi divulgado oficialmente por exigência do cliente. O primeiro lote de quatro unidades deve ser entregue no segundo semestre deste ano. Os A-29 serão todos produzidos na fábrica da EDS em Jacksonville, na Flórida, e modificados de acordo com as especificações nigerianas pela Sierra Nevada Corporation (SNC) a parceira da Embraer nos Estados Unidos. 

A administração do presidente Muhammadu Bohari gasta muito com a guerra interna contra a organização radical islâmica Boko Haram. O legislativo local está analisando a autorização para a tomada um empréstimo internacional de US$ 1 bilhão que seria investido apenas em programas de treinamento e reequipamento da Defesa. O Super Tucano é usado por 14 forças armadas. Acumula 46 mil horas de combate e 360 mil horas de voo. Leva até 1,5 tonelada de foguetes ar-terra e bombas guiadas, inteligentes. Nas asas, duas metralhadoras .50. Também pode ser armado com um canhão de 20mm e mísseis. O pacote definido entre a EDS e a aviação militar da Nigéria inclui equipamento de instrução de manutenção, simulador de voo, peças e componentes, sistemas de missão – primária e alternativa, além de amplo programa de serviços logísticos. 

A encomenda está sendo discutida há três anos . O A-29 será destinado pela aviação da Nigéria para operações contra os rebeldes que atuam na região norte, virtualmente controlada pelos violentos movimentos Boko Haram e Ansaru com amplo apoio do Estado Islâmico. A meta, de acordo com o atual líder do grupo extremista, Abubakar Shekau, é estabelecer um território independente regido pela sharia, a lei muçulmana. Ao menos 12 estados da área conflitada adotaram os rígidos princípios em atos administrativos e nos procedimentos jurídicos. Os insurgentes do Boko Haram  lançou as primeiras ações armadas na Nigéria em 2009. Ao longo de dez anos expandiram sua presença para os vizinhos Camarões e Niger. 

Atualmente, uma coalizão militar de quatro países enfrenta a ofensiva dos radicais. É comandada pelas forças nigerianas com a sustentação de um grupo paralelo liderado pelos Estados Unidos e integrado por oito nações. A conclusão dos militares ocidentais é de que a tropa da Nigéria não tem tido sucesso na campanha de repressão. A aviação, particularmente, teria sérias dificuldades para manter a interdição e a destruição de alvos na zona de selva – uma modalidade de uso em que o A-29 Super Tucano revela grande eficiência comprovada em combate na Colômbia, contra a guerrilha das Farc e no Afeganistão, contra os fundamentalistas do Taliban. Mal equipada, a força aérea nigeriana desloca jatos F-7, um desenvolvimento do antigo Mig-21 soviético, modificado na China e no Paquistão -- uma máquina de guerra inadequada para executar ataques de precisão contra posições em terra.

Potencialmente rica, com boas reservas de petróleo e integrante da OPEP, o influente cartel internacional de produtores, a Nigéria tem 198 milhões de habitantes. O Produto Interno Bruto (PIB) anual é de US$ 1.169 trilhão mas, de acordo com analistas britânicos de estudos estratégicos “poderia ser maior e está sob risco por causa das dificuldades da economia decorrentes da insegurança”. Os especialistas apontam um “indicador significativo”: 78 dos 159 campos de extração de óleo são pequenos, velhos, e precisam ser submetidos a processos de modernização.

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