Embraer deve repetir desempenho deste ano em 2012, apesar da crise

Segundo o vice-presidente de aviação comercial, a empresa deve entregar pouco mais de 100 aviões neste ano

Silvana Mautone, da Agência Estado,

21 de setembro de 2011 | 14h14

Apesar das informações recentes de que a crise internacional está se agravando, a Embraer acredita que o desempenho de 2012 será pelo menos igual ao deste ano, ou melhor. A afirmação foi feita nesta quarta-feira, 21, pelo vice-presidente de aviação comercial da empresa, Paulo Cesar Souza e Silva. "Claro que não é uma crise simples. É uma continuação da crise de 2008 e não sabemos ainda qual será sua extensão. Mas enxergamos um 2012 positivo", afirmou.

Segundo ele, a empresa deve entregar este ano pouco mais de 100 aviões. "Não acreditamos que no ano que vem o número será menor." O backlog da empresa (número de pedidos firmes) equivale a três anos de produção e soma US$ 15,8 bilhões.

O executivo da Embraer disse ainda que a empresa deve decidir até o fim do ano onde implantará mais dois centros de manutenção da empresa. Um deve ser no Oriente Médio, possivelmente Dubai, e outro na África. Atualmente, há dez centros de manutenção e o último foi inaugurado em janeiro, no Egito, em parceria com a Egyptair.

Fábrica na China

Segundo Souza e Silva, a Embraer continua negociando com o governo chinês para produzir aviões executivos no País. "A negociação ainda está em curso, ainda faltam detalhes", afirmou. Questionado sobre quando deve ocorrer o início da produção, ele disse acreditar "que no começo do ano que vem já tenha alguma coisa". O executivo também informou que ainda não há encomendas para os aviões Legacy 600 que devem ser produzidos na fábrica chinesa.

No último mês de abril, durante visita da presidente Dilma Rousseff à China, a Embraer fechou acordo para produzir no País o jato executivo Legacy 600, o que evitaria o fechamento da fábrica que a companhia possui desde 2002 na cidade de Harbin, em parceria com a estatal Aviation Industry Corporation of China (Avic). Anteriormente, a Embraer produzia no local o modelo 145, para o segmento de aviação comercial, mas a China, que está incentivando o desenvolvimento da sua indústria de aviação, não quis que a Embraer continuasse produzindo no País aeronaves comerciais.

De acordo com Silva, a Embraer possui hoje na China mais de 70% do mercado de aviões entre 70 e 120 lugares e, apesar da China estar desenvolvendo aviões para esse mercado, ele acredita que a Embraer deve manter a liderança nesse segmento no País nas próximas décadas. "Já temos uma grande presença nas principais empresas aéreas da China. Por isso acreditamos que será possível manter uma posição de liderança nesse mercado."

Motores

A Embraer mantém o cronograma de decidir até o final do ano sua estratégia na aviação comercial - decidirá se remotorizará sua família de E-Jets ou se desenvolverá um avião comercial completamente novo e maior do que produz hoje, o que significaria entrar em um novo nicho de mercado. Atualmente, o maior avião da Embraer é o E-190 que pode ser configurado para até 122 assentos.

"A Boeing finalmente anunciou que vai remotorizar o 737 e essa é uma informação importantíssima que estava faltando para concluirmos os estudos até o final do ano. Agora estamos engajados em falar muito com os nossos clientes para entender o que eles precisam dado o que já está sendo oferecido pelos correntes", disse Souza e Silva. "Queremos desenvolver algo que realmente acrescente valor aos nossos clientes."

Recentemente, a Boeing anunciou que decidiu desenvolver um novo motor que deve gerar uma economia de combustível de até 15% nos modelos da família 737. Antes, a Airbus já havia optado por essa estratégia, ao anunciar o A320neo. A canadense Bombardier, concorrente direta da Embraer no mercado de aviões regionais, está desenvolvendo a família de jatos CSeries, de 100 a 149 assentos.

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