Embraer tem prejuízo de R$171,6 milhões no 4º trimestre

A Embraer, terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo, registrou prejuízo líquido de 171,6 milhões de reais no quarto trimestre de 2011, ante lucro de 208 milhões de reais no mesmo período do ano anterior, informou a companhia nesta terça-feira.

REUTERS

20 de março de 2012 | 20h44

O resultado ficou abaixo da projeção média de analistas para a Embraer, que era de lucro líquido de 143 milhões de dólares no quarto trimestre, e que seria maior do que o verificado no mesmo período no ano anterior, se não houvesse o lançamento das provisões .

Segundo a companhia, por conta do pedido de concordata da AMR, controladora da companhia aérea American Airlines, e das exposições relativas a garantias financeiras e de valor residual, foram registradas provisões no quarto trimestre que totalizaram 662,6 milhões de reais.

"Se excluídos todos os eventos extraordinários mencionados anteriormente, que tiveram um efeito líquido de aproximadamente 556 milhões de reais", o lucro líquido no trimestre teria sido de 523,3 milhões de reais, informou a empresa.

No ano, o lucro líquido foi de 156,3 milhões de reais, ante 573,6 milhões de reais em 2010.

A receita líquida da companhia somou 3,67 bilhões de reais entre outubro de dezembro de 2011, uma alta de 9,8 por cento ante o mesmo período do ano anterior. No fechado de 2011, a receita ficou em 9,86 bilhões de reais, alta sobre os 9,38 bilhões de reais apurados no ano anterior.

O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes dos juros impostos, depreciação e amortização) foi de 101,3 milhões no período, ante 334,6 milhões de reais registrados um ano antes. Em 2011, ficou em 923 milhões de reais, queda sobre 2010, quando registrou 1,07 bilhão de reais.

No quatro trimestre, a Embraer entregou 32 jatos comerciais e 50 jatos executivos. Segundo a empresa baseada em São José dos Campos (SP), considerando o total de entregas e os novos pedidos firmes, a carteira de encomendas encerrou o ano em 15,4 bilhões de dólares, um pouco abaixo dos 15,6 bilhões de dólares do ano anterior.

Depois da desvalorização do real em setembro, a Embraer contratou algumas operações de hedge financeiro para reduzir a exposição de seu fluxo de caixa em 2012, uma vez que os custos denominados em reais são maioreis do que as receitas.

Para este ano, cerca de 45 por cento da exposição ao real está protegida, e segundo a empresa, caso o dólar se deprecie abaixo de 1,75 real, as operações de hedge compensarão os efeitos da apreciação do câmbio.

CONCORDADTA DA AMR

A American Airlines e sua controladora AMR pediram concordata em 29 de novembro para cortar custos e tentar lidar com o aumento dos preços dos combustíveis e uma demanda aérea deprimida nos Estados Unidos .

Por conta disso, informou a companhia, e da provável modificação do perfil de sua frota, a Embraer provisionou um total de 583,2 milhões de reais no quatro trimestre para fazer frente a possíveis despesas relacionadas às garantias financeiras e de valor residual emitidas quando do financiamento ds 216 aeronaves que são atualmente operadas pela American Eagle, subsidiária da AMR.

"A decisão final da AMR de como gerenciará a operação destas aeronaves ainda está em curso, porém, esta provisão representa a melhor estimativa baseada no cenário atual", informou a Embraer em seu release de resultados.

A companhia informou que espera que o valor da provisão seja suficiente para cobrir todas as despesas esperadas com estas obrigações. "O desembolso de caixa relacionado a estas garantias está previsto ocorrer ao longo dos próximos anos", disse.

A Embraer disse, ainda,"que dado o potencial impacto no mercado secundário de jatos regionais que podem ocorrer devido ao aumento de disponibilidade de aeronaves provenientes do processo de reestruturação da AMR, a empresa revisou suas provisões referentes a outras garantias financeiras e de valor residual (RVG) e o valor líquido de tais provisões foi de 79,4 milhões de reais".

(Por Juliana Schincariol

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