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Embraer tem prejuízo menor, mas ainda perde R$ 111,4 mi no 3º trimestre

Resultado foi 71% menor que o prejuízo do mesmo período de 2015; no ano, empresa registra perdas de R$ 62,9 milhões

Victor Aguiar, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2016 | 08h04

SÃO PAULO - A Embraer encerrou o terceiro trimestre de 2016 com prejuízo líquido atribuído aos acionistas de R$ 111,4 milhões, 71% menor que o prejuízo de R$ 387,7 milhões apurado no mesmo período do ano passado. Com isso, a fabricante de aeronaves acumula no ano um resultado líquido negativo de R$ 62,9 milhões.

Já no critério ajustado, excluindo o imposto de renda e a contribuição social diferidos no período, a Embraer contabilizou lucro líquido de R$ 255,9 milhões entre julho e setembro de 2016, o que corresponde a uma leve alta de 0,3% em relação aos R$ 255,1 milhões reportados no mesmo intervalo do ano passado. Nesse critério, a Embraer registra lucro de R$ 406 milhões no acumulado dos primeiros nove meses do ano.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) totalizou R$ 204,3 milhões no terceiro trimestre de 2016, uma queda de 64,2% ante os R$ 570,3 milhões registrados um ano antes. A margem Ebitda caiu para 4,2%, frente aos 12,5% anotados no terceiro trimestre de 2015. Entre janeiro e setembro de 2016, o indicador soma R$ 695 milhões, com margem Ebitda de 4,7%.

Já o Ebitda ajustado atingiu R$ 606,7 milhões, 6,38% acima dos R$ 570,3 milhões anotados no terceiro trimestre de 2015. A margem Ebitda ajustada entre julho e setembro de 2016 foi de 12,3% ante margem de 12,5% há um ano. Nos nove primeiros meses, o Ebitda ajustado soma R$ 1,782 bilhão, com margem Ebitda ajustada de 12,1%.

O resultado operacional (Ebit) do terceiro trimestre desse ano ficou negativo em R$ 96,4 milhões, ante os R$ 307,3 milhões positivos do terceiro trimestre do ano passado. A margem Ebit recuou para -2%, frente os 6,7% positivos verificados há um ano. No ano, o Ebit está negativo em R$ 203,7 milhões, com margem de -1,4%.

O Ebit ajustado, por sua vez, ficou positivo em 306 milhões no trimestre, uma ligeira queda de 0,4% em relação aos R$ 307,3 milhões do mesmo intervalo de 2015 - a margem Ebit ajustada ficou em 6,2%, ante 6,7% há um ano. No acumulado dos nove primeiros meses de 2016, o Ebit ajustado soma R$ 883,6 milhões, com margem de 6%.

As receitas líquidas cresceram 7,34% entre julho e setembro de 2016, para R$ 4,913 bilhões, somando R$ 14,733 bilhões em nove meses.

Provisões. A fabricante de aeronave provisionou R$ 18 milhões, ou US$ 5,5 milhões, no terceiro trimestre de 2016, em outras despesas operacionais relacionadas ao encerramento da investigação de não conformidade com o U.S. Foreign Corrupt Practicies Act (FCPA), informou a companhia em suas demonstrações financeiras relativas ao período.

A companhia anunciou ao mercado em 24 de outubro os termos para o encerramento do caso que vinha sendo investigado, no exterior, pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) e Securities and Exchange Comission (SEC), e, no Brasil, pelo Ministério Público Federal (MPF) e Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Como parte dos acordos firmados pelas partes, a Embraer pagará US$ 205,5 milhões às autoridades, entre outras medidas.

A Embraer ressalta que, deste montante, US$ 200 milhões já haviam sido provisionados entre abril e junho deste ano e, desta maneira, os US$ 5,5 milhões adicionais foram provisionados neste trimestre. "Uma vez cumpridas as disposições acordadas, no prazo determinado, nenhuma acusação contra a empresa será formalizada", destaca a companhia.

Plano de demissão voluntário. A empresa também realizou a provisão de R$ 384,4 milhões relacionada ao programa de demissão voluntária (PDV), que contou com a adesão de 1,463 mil empregados. Segundo a Embraer, o desembolso de caixa para o pagamento das obrigações relacionadas ao programa está previsto para ocorrer no quarto trimestre deste ano e no primeiro trimestre de 2017. 

Aviação comercial. O segmento de aviação comercial da Embraer, tradicionalmente o de maior peso na composição das receitas da companhia, respondeu por 61,2% da receita líquida da fabricante de aeronaves no terceiro trimestre deste ano, com R$ 3,006 bilhões, o que corresponde a uma alta de 24,9% na comparação com igual etapa do ano anterior.

A representatividade do segmento em relação à receita líquida da companhia aumentou na comparação com o mesmo período de 2015, quando a Aviação Comercial era responsável por 52,6% das receitas. No entanto, houve uma redução ante o segundo trimestre de 2016, quando a divisão respondia por 62,8%.

No terceiro trimestre de 2016, a Embraer entregou 29 aeronaves comerciais, sendo 24 do tipo E175, quatro do modelo E190 e uma E195. Entre julho e setembro do ano passado, foram entregues 21 aeronaves comerciais, sendo 20 do tipo E175, e uma E195. No acumulado de 2016, a Embraer entregou 76 aviões comerciais - 64 do tipo E175, oito do modelo E190 e quatro E195.

Em relação ao segmento comercial, a companhia destaca que o principal destaque foi a estreia internacional do primeiro protótipo do jato E190-E2, no Farnborough Airshow, no Reino Unido.

Aviação Executiva. O segmento de Aviação Executiva, por sua vez, teve queda de 19,57% da receita entre o terceiro trimestre do ano passado e o mesmo período deste ano, para R$ 1,191 bilhão, o que correspondeu a 24,2% da receita líquida total da Embraer. Conforme a companhia, a queda reflete o menor número de entregas nesse trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior.

Entre julho e setembro de 2016, a Embraer entregou 25 aeronaves comerciais, sendo 13 jatos leves e 12 jatos grandes - no mesmo intervalo de 2015, foram 30 aeronaves, sendo 21 leves e nove grandes. No acumulado do ano, a Aviação Executiva entregou 74 aeronaves, sendo 48 leves e 26 grandes.

Defesa & Segurança. Já o segmento de Defesa & Segurança respondeu por 14,2% das receitas da Embraer no trimestre, ante 14,1% há um ano e 15,4% no segundo trimestre de 2016. A divisão obteve receita de R$ 699,2 milhões entre julho e setembro deste ano, 8,59% a mais que os R$ 643,9 milhões de igual etapa do ano passado.

A companhia destacou que, no trimestre, foi finalizada a entrega do primeiro lote de 20 aeronaves para o Programa de Apoio Aéreo Leve (LAS, em inglês), da Força Aérea dos Estados Unidos. A Embraer também ressalta que foi iniciada a montagem da primeira de seis aeronaves adquiridas pelo Líbano, em contrato assinado em novembro de 2015. 

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