Embraer terá de mudar foco na China, diz governo

Empresa enfrenta problemas no país asiático e já estuda até fechar as portas da fábrica

Raquel Landim, enviada especial, O Estado de S. Paulo

19 de agosto de 2009 | 09h57

Se quiser manter sua operação em Harbin, no norte da China, a Embraer terá de fabricar novos modelos de aviões na unidade chinesa, avalia o governo brasileiro. A empresa enfrenta problemas no país asiático, como cancelamento de pedidos e restrições para obter licenças de importação, e já estuda até fechar as portas da fábrica.

 

"Com esse modelo de avião, a fábrica não tem futuro. É um modelo que não tem mercado. Está ultrapassado", disse o embaixador do Brasil na China, Clodoaldo Hugueney. "A Embraer sabe disso. Mas essa é uma decisão da empresa", completou. Procurada, a Embraer não se pronunciou.

 

A Embraer produz em Harbin os aviões do modelo ERJ 145, em parceria com sua sócia, a China Aviation Industry Corporation (Avic). As duas empresas investiram US$ 25 milhões no negócio. A empresa brasileira possui 51% da joint venture. Pelos contratos em vigor, a Embraer tem serviço para manter a unidade funcionando até a metade de 2011. A avaliação da empresa é que, se não surgirem novos pedidos, não faz sentido seguir montando aviões na China.

 

Para o embaixador, o ERJ 145, com 50 lugares, é um avião pequeno, enquanto outras companhias já fabricam aeronaves maiores na China. No fim de junho, a Airbus entregou o primeiro A320 montado no país asiático, na cidade de Tianjian, próxima a Pequim. É uma parceria da companhia americana com a Avic e com a Tianjian Free Trade Zone.

 

A Commercial Aircraft Corporation of China (CACC), uma estatal chinesa que funciona como um braço da Avic, também se prepara para colocar no mercado o ARJ 21, um avião desenvolvido em parceria tecnológica com a canadense Bombardier, rival da Embraer.

 

Segundo fontes do setor privado, os chineses estão pressionando a companhia brasileira para produzir em Harbin aviões da família Embraer 170/190, que possuem entre 70 e 122 lugares. Mas a hipótese é descartada pela empresa, que prefere fabricar essas aeronaves no Brasil e exportar para a China.

 

Licenças

A crise prejudicou as entregas dos aviões Embraer 170/190 já vendidos na China. Das 50 unidades previstas pela empresa, foram exportadas apenas sete, porque o governo chinês não liberou as licenças de importação. Em sua visita a China, em maio deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou resolver o problema, mas não conseguiu. As encomendas do ERJ 145, feitos em Harbin, também foram cortadas pela metade, para 25 aeronaves.

 

Para Hugueney, os aviões da Embraer são competitivos e a empresa pode seguir no mercado chinês, exportando do Brasil, mas enfrentará problemas. "O mercado na China é muito controlado. Ao deixar de produzir aqui, a empresa perde os benefícios dados pelo Estado e concorre com outras empresas que estão no país."

 

Carnes

O embaixador brasileiro na China espera que o governo chinês libere a exportação de carne bovina brasileira para o país no final de novembro, quando deve ocorrer a reunião da comissão bilateral de alto nível Brasil-China em Brasília. "Estou otimista. Avançamos muito na condução do processo de análise", disse. Ele acredita que os chineses devem aceitar o critério de regionalização da febre aftosa no Brasil.

 

Em maio, durante sua visita, o presidente Lula conseguiu que a China cumprisse sua promessa de liberar a exportação de carne de frango. Desde então, já foram autorizados os embarques de 40 mil toneladas do Brasil para a China. Para a carne suína, a abertura do mercado chinês deve demorar pelo menos até 2010. De acordo com o embaixador, o processo é bastante complicado e o Brasil já respondeu a 60 quilos de papel de questionamentos dos chineses. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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