Embraer trata investigação ‘com serenidade’, diz Curado

Companhia é investigada pela SEC por eventual descumprimento de lei que proíbe empresas de subornar oficiais de governos estrangeiros

Silvana Mautone, da Agência Estado,

04 de novembro de 2011 | 12h31

O presidente da Embraer, Frederico Curado, disse que a empresa está tranquila com relação à investigação que está sendo conduzida pela Securities and Exchange Comission (SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos). Segundo ele, a companhia está tratando o assunto com "seriedade e serenidade". A declaração foi feita durante teleconferência com jornalistas, realizada no fim da manhã desta sexta-feira, 4.

Curado afirmou que a Embraer comunicou a existência da investigação voluntariamente, por uma questão de transparência. O comunicado foi feito na quarta-feira à noite, no texto sobre a divulgação do resultado financeiro referente ao terceiro trimestre deste ano. O executivo ressaltou ainda que a Embraer integra voluntariamente o Pacto Geral das Nações Unidas, que repudia a prática de fraudes.

Caso a Embraer seja considerada culpada na investigação que está sendo conduzida pela SEC, a empresa pode ser impedida de fazer negócios com o governo americano, multada, e os executivos envolvidos podem ser condenados a até cinco anos de prisão. As informações constam no site do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, na Divisão Criminal, Seção sobre Fraudes.

A Embraer está sendo investigada pela SEC por possível descumprimento do US Foreign Corrupt Practices Act (em tradução livre, "Lei Contra Práticas de Corrupção no Exterior"). Essa lei proíbe empresas listadas no mercado americano de subornar oficiais de governos estrangeiros ou fazer qualquer outro tipo de pagamento ilegal em troca de benefícios nos negócios.

A Embraer não pode dar mais informações sobre o processo de investigação devido à "confidencialidade do próprio ofício", afirmou o presidente da empresa. "Somos passivos no processo, não ativos", afirmou.

Prejuízo

Durante a teleconferência, ao ser questionado se a investigação pode prejudicar a Embraer na concorrência que está participando para vender aeronaves às Forças Armadas dos Estados Unidos, Curado disse não acreditar que isso ocorra. Na sua avaliação, a Embraer só poderia ser impedida de continuar na disputa caso já tivesse sido condenada. Ele disse que o resultado da concorrência deve sair nas próximas semanas, enquanto a conclusão da investigação deve levar mais tempo. "Nós ainda estamos na parada", afirmou.

O negócio é avaliado em cerca de US$ 1,5 bilhão e envolve a venda de cerca de 100 unidades do Super Tucano, cuja versão básica custa entre US$ 10 milhões e US$ 15 milhões. Se vencer essa concorrência, seria a maior venda de aviões Super Tucano já realizada pela Embraer desde o seu lançamento e abriria portas para a empresa entrar no maior mercado de defesa do mundo, o dos Estados Unidos.

Tudo o que sabemos sobre:
EmbraerinvestigaçãoFrederico Curado

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.