Emergentes vão pressionar Europa por maior papel do BCE na crise

Os mercados emergentes provavelmente não contribuirão com dinheiro para resgatar a Europa sem um compromisso mais forte do Banco Central Europeu (BCE), avalia Amar Bhattacharya, do grupo dos 24 países emergentes e em desenvolvimento

Agência EStado,

28 de outubro de 2011 | 22h52

Os mercados emergentes provavelmente não contribuirão com dinheiro para resgatar a Europa sem um compromisso mais forte do Banco Central Europeu (BCE) para conter a crise da dívida da zona do euro, disse Amar Bhattacharya, diretor do secretariado do grupo dos 24 países emergentes e em desenvolvimento num evento promovido pelo Instituto do Banco de Desenvolvimento da Ásia e do Instituto Brookings.

As autoridades da zona do euro planejam criar uma nova unidade de resgate, um veículo de propósito específico, que esperam ser financiado por fundos soberanos, empréstimos de países e mercados privados como uma das maneiras de solucionar a crise. Líderes europeus, como o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e executivo-chefe do fundo de resgate europeu, a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês), Klaus Regling, estão pedindo ajuda da China e outros países.

Mas autoridades brasileiras, russas e chinesas se mostraram relutantes em contribuir com dinheiro até obterem mais detalhes do novo pacote da crise da dívida europeia. "No momento, o papel do BCE não está claro", disse Amar Bhattacharya. "É uma pena, porque é onde, em nosso ponto de vista, o poder de fogo está", acrescentou.

Se a Europa deixou claro que o BCE está comprometido como credor de última instância, não há necessidade de financiamento externo, disse Bhattacharya. Ele também afirmou que países com Brasil, Índia e China vão pressionar a Europa na reunião do G-20 em Cannes na próxima semana para usarem o BCE como única proteção efetiva para a crise da zona do euro. "O envolvimento da comunidade global em parte serve para criar pressão política para chegarmos a o que chamo de maior comprometimento do BCE possível", afirmou.

O BCE tem trilhões de euros à disposição em seu balanço. Os EUA e o Fundo Monetário Internacional (FMI) anteriormente já pediram que a Europa combine o poder do BCE com o da EFSF, criando um tipo de veículo que acreditam poder impedir decisivamente que a crise se espalhe. Mas, diferente do Federal Reserve durante a crise financeira de 2008-2009, que usou seu grande balanço para conter a crise dos EUA, o BCE tem sido avesso a socorrer seus integrantes. Mesmo tendo comprado bônus espanhóis e italianos, as autoridades alertaram que o fizeram apenas temporariamente.

Os mercados emergentes apenas considerarão um financiamento suplementar se a Europa se comprometer claramente a usar seus recursos, disse o diretor do secretariado do G-24. Se os emergentes chegarem a ajudar, provavelmente será por meio do FMI e com o mesmo tipo de condições severas que o fundo impõe para seus programas normais de empréstimo, disse. As informações são da Dow Jones. (Paula Moura)

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