Emergiram sinais de moderação do mercado de trabalho, diz BC

Segundo diretor do BC, instituição também observou um 'recuo gradual' dos aumentos de salário nos últimos meses

Fernando Nakagawa e Adriana Fernandes, da Agência Estado,

29 de setembro de 2011 | 14h45

O diretor de política econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, afirmou nesta quinta-feira, 29, que o cenário de trabalho da instituição contempla moderação da atividade doméstica, com ritmo menos intenso que o observado no primeiro semestre. "O que torna o balanço de riscos para a inflação mais favorável", acrescentou.

Entre os fatores que tornam o ambiente mais favorável, Carlos Hamilton Araújo destaca que "emergiram sinais de moderação" no mercado de trabalho. Citou ainda recuo no uso da capacidade instalada da economia e também redução do descompasso entre a demanda e a oferta. "Sobre a inflação ao produtor, temos observado alguma moderação", completou.

Hamilton disse também que é possível observar um "recuo gradual" dos aumentos de salário nos últimos meses. "Temos observado gradualmente um recuo dos ganhos reais de salário", afirmou. Segundo ele, dados de julho mostram que há categorias de trabalhadores que conseguiram ganho real abaixo de 2%, em patamar inferior ao observado nos meses anteriores e em linha com a média do ganho de produtividade anual dos trabalhadores brasileiros - que está entre 1,5% e 2%.

Segundo ele, com o observado em julho, pode ser revertida tendência vista no início do ano, quando os salários registravam ganhos reais bem acima da inflação e dos 2% da média de produtividade. "Entendendo que qualquer ganho real de salário real acima da produtividade vai repercutir nos preços",

Consumo

O diretor do BC disse que a instituição também tem observado "moderação na margem" nos índices de inflação ao consumidor. Essa desaceleração, segundo ele, é explicada pelo efeito sazonal e principalmente pelas ações tomadas no fim do ano passado e início deste ano pela equipe econômica. Mesmo com esse movimento recente, ele reconhece que os índices "encontram-se bastante elevados em 12 meses".

Hamilton ressaltou que é possível observar acomodação dos preços ao produtor e na indústria na comparação com 2010. Apesar disso, o diretor reconhece que os preços de serviços - os não comercializáveis - não tiveram arrefecimento e seguem em patamar elevado "há bastante tempo".

Para o diretor do BC, o cenário prospectivo traçado para a inflação não contempla a possibilidade de ruptura dos mercados globais, com repercussões no Brasil como as ocorridas em 2008. Segundo ele, o cenário não contempla empoçamento de liquidez no Brasil nem "quebra de banco".

 

"O nosso cenário não contempla algo como ocorrido em 2008. O impacto seria menor", disse. Ele lembrou que na crise de 2008 a produção industrial caiu dois dígitos. O diretor destacou ainda que as taxas de juros do crédito externo aumentaram "um pouco". E que o acesso das empresas a esse mercado está mais reduzido. "Nosso cenário contempla moderação das condições de financiamento do mercado de capitais", afirmou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.