Emprego industrial completa 2 anos de queda

Retração no emprego acompanha queda na produção industrial e deve continuar, diz analista

Idiana Tomazelli, Agência Estado

12 de novembro de 2013 | 11h53

RIO - A sequência de quedas no índice mensal do emprego na indústria não parece gerar surpresa entre analistas, apesar ter completado, em setembro, dois anos de retração na comparação do mês com igual mês do ano anterior.

"Existe uma tendência de queda na produção industrial há, aproximadamente, três anos. O emprego acompanha", afirmou o professor de Economia da PUC-Rio e economista-chefe da Opus Investimentos, José Marcio Camargo. Em setembro, o emprego industrial caiu 0,4% ante agosto e teve queda de 1,4% em relação a setembro do ano passado.

Com ritmo mais lento desde 2011, a produção menos dinâmica provocou resposta semelhante, ainda que defasada, do mercado de trabalho do setor. Além disso, a redução de competitividade na indústria brasileira contribuiu para que os empresários optassem por reduzir a mão de obra disponível em suas linhas de produção.

"O custo unitário do trabalho está aumentando. Há um forte aumento no preço dos serviços, o que eleva os salários acima da produtividade", observou Camargo.

O real mais valorizado até o início deste ano também pesou na conta das empresas. "A indústria brasileira não consegue concorrer com seus pares internacionais. Ou a produtividade aumenta, ou ela seguirá sem conseguir competir", disse.

Novas quedas. Camargo não espera recuperação no emprego industrial nos próximos meses, já que, sazonalmente, os meses de agosto e setembro são os mais movimentados na indústria, já em preparação para a demanda de fim de ano.

"O emprego no setor atinge ponto alto entre agosto e setembro. A partir daí, serviços e comércio é que ficam mais aquecidos. É pouco provável que haja recuperação", disse. Assim, o indicador deve repetir este ano o sinal negativo do acumulado em 2012 (-1,4%). Até setembro, a taxa acumulada é de -0,9%.

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