Emprego industrial fica estável em abril, mas valor pago sobe 0,2%

Na comparação com abril de 2012, o emprego industrial caiu 0,5% em abril deste ano

Fernanda Nunes, da Agência Estado,

12 de junho de 2013 | 09h26

RIO - O emprego na indústria ficou estável (0,0%) na passagem de março para abril, na série livre de influências sazonais, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação com abril de 2012, no entanto, o emprego industrial caiu 0,5% em abril deste ano. No acumulado de 2013 até abril, os postos de trabalho na indústria recuaram 0,9%. Enquanto, em 12 meses, o emprego industrial acumulou queda de 1,3%.

O valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria subiu 0,2% de março para abril, pelo indicador ajustado sazonalmente, segundo o IBGE. No ano, a taxa acumulada é de 2,0% e, em 12 meses, de 3,6%. Em comparação a abril de 2012, a folha de pagamento na indústria avançou 2,6%. Foram registradas altas em 11 dos 14 locais pesquisados, com destaque para São Paulo (3,6%).

Ainda na comparação anual, o IBGE destacou que o valor da folha de pagamento real da indústria cresceu em 12 dos 18 setores investigados, com destaque para alimentos e bebidas (6,4%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos de comunicações (7,9%), produtos químicos (5,9%), produtos de metal (4,9%), meios de transporte (2,3%) e indústrias extrativas (4,9%). Os principais impactos negativos foram observados em papel e gráfica (-5,8%), metalurgia básica (-1,2%) e máquinas e equipamentos (-0,6%).

Horas pagas 

O número de horas pagas pela indústria, descontadas as influências sazonais, subiu 1,0% de março para abril, segundo o IBGE. Em comparação com abril do ano passado, o indicador subiu 0,1%. A taxa interrompeu uma série de 19 taxas negativas consecutivas.

No ano, o indicador relativo ao número de horas pagas pela indústria acumula queda de 1,3% e, em 12 meses, de 1,8%. Comparando o resultado de abril com igual mês de 2012, o IBGE revelou que as taxas foram positivas em sete dos 14 locais pesquisados e em dez dos 18 ramos pesquisados.

Em termos setoriais, as principais influências positivas partiram de alimentos e bebidas (3,6%), meios de transporte (2,0%), borracha e plástico (2,5%), refino de petróleo e produção de álcool (4,2%) e produtos de metal (1,3%). Em contrapartida, as principais influências negativas partiram de calçados e couro (-7,4%), outros produtos da indústria de transformação (-4,3%), vestuário (-4,0%), máquinas e equipamentos (-2,5%), produtos têxteis (-3,6%) e madeira (-6,0%).

O emprego na indústria segue crescendo, segundo o economista do IBGE Rodrigo Lobo, ao analisar a Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário referente a abril, divulgada hoje.

O principal indicador de crescimento é visualizado nas estatísticas relativas ao número de horas pagas, que avançou 1,0% ante março, o maior crescimento desde outubro (1,1%), e 0,1% em comparação com igual mês do ano anterior.

"Com o aumento da produção industrial, em vez de os empresários contratarem mais pessoas, estão preferindo aumentar a carga de trabalho dos seus empregados, pagando horas extras. Eles temem que o aumento de produção não se confirme. Mas, se o movimento se der de forma continuada, haverá aumento do número de trabalhadores", avaliou o economista.

Além disso, a melhora do emprego industrial também pode ser percebida nos indicadores de média móvel trimestral (0,3%), o melhor resultado desde fevereiro de 2012 (0,6%). A taxa de abril interrompeu três meses consecutivos de queda, período em que acumulou queda de 0,4%. Lobo chama atenção ainda para a redução da intensidade das taxas negativas captadas pela pesquisa, como a de pessoal ocupado comparado a abril de 2012, de -0,5%. Em março, a taxa foi de -0,7%.

Embora negativo, o índice apresenta a queda menos intensa registrada desde janeiro de 2012 (-0,4%). Outro indicador de melhora é que a folha de pagamento permanece crescendo, tendo apresentado resultados positivos em todas as bases de comparação.

Ante março, avançou 0,2% e, em comparação com abril de 2012, 2,6%. "Apesar de certa estabilidade do emprego industrial, o pessoal ocupado tem recebido massa salarial cada vez melhor. Talvez por causa da qualificação dos funcionários", destacou o economista do IBGE.

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