Emprego na indústria cresce 0,2% em março, apura IBGE

Em 12 meses, porém, o emprego industrial acumulou queda de 1,4%; no acumulado de 2013, há queda de 1%

Fernanda Nunes, da Agência Estado,

10 de maio de 2013 | 09h42

O emprego na indústria cresceu 0,2% na passagem de fevereiro para março, na série livre de influências sazonais, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com março de 2012, no entanto, o emprego industrial caiu 0,6% em março deste ano. No acumulado de 2013, os postos de trabalho na indústria recuaram 1,00%. Enquanto, em 12 meses, o emprego industrial acumulou queda de 1,4%.  

O valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria caiu 0,5% de fevereiro para março, pelo indicador ajustado sazonalmente. No ano, a taxa acumulada é de 1,9% e, em 12 meses, de 3,7%. Em comparação a março de 2012, a folha de pagamento avançou 2,5%.

Foram registradas altas em dez dos 14 locais pesquisados, com destaque para São Paulo (3,2%), Rio de Janeiro (8,9%), Minas Gerais (2,2%), Rio Grande do Sul (2,4%), Região Norte e Centro-Oeste (2,2%) e Paraná (1,7%). Em contrapartida, as principais influências negativas partiram da região Nordeste (-1,7%) e também isoladamente de Pernambuco (-6,7%).

Ainda na comparação anual, o IBGE destacou que o valor da folha de pagamento real da indústria cresceu em 12 dos 18 setores investigados, com destaque para produtos químicos (7,7%), meios de transporte (3,7%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (7,4%), alimentos e bebidas (2,4%), papel e gráfica (6,1%), indústrias extrativas (2,7%), máquinas e equipamentos (1,3%) e produtos de metal (2,3%). Os principais impactos negativos foram observados em vestuário (-3,8%), metalurgia básica (-1,1%) e outros produtos da indústria de transformação (-1,6%).

Ocupação

A ocupação da indústria em março, quando cresceu 0,2%, registrou a maior alta desde outubro do ano passado (0,3%), considerando o dado na margem, comparado ao mês imediatamente anterior. Segundo o gerente da coordenação de Indústria do IBGE, André Macedo, o resultado guarda uma relação direta "com o incremento da produção no trimestre. Mas ainda não é possível caracterizar uma tendência".

Ele ressalta que o cenário é de oscilação tanto da produção quanto das condições de trabalho. Isso fica evidente no indicador relativo ao número de horas pagas, que voltou a ficar negativo, em -0,4%, após alta de 0,1% em fevereiro. Com a redução das horas trabalhadas, a indústria sinaliza que não irá contratar no curto prazo.

Já a folha de pagamento, que em março apresentou taxa negativa na comparação com o mês anterior (-0,5%), mas cresceu em relação a igual mês do ano passado (1,5%), demonstra que as negociações entre empregadores e empregados repercutem em ganho de renda salarial em diversos setores. A taxa negativa, na margem, é pontual, segundo Macedo, funcionando como um ajuste, após alta expressiva em fevereiro, de 3,0%.

Na passagem do quarto trimestre de 2012 para o primeiro trimestre deste ano, prevalecem taxas negativas no mercado de trabalho da indústria, o que, avalia o economista, comprova a tese de que o cenário ainda é de volatilidade. "É um pouco cedo para prever contratações e aumento de horas pagas", afirmou.

De janeiro a março, o número de ocupados caiu 0,2%, as horas pagas, 0,4% e a folha de pagamento, 2,5%. A interpretação do economista do IBGE é que a indústria optou por manter a atividade com, praticamente, o mesmo número de empregados e pagando menos horas extras, enquanto ainda aguarda a recuperação.

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