Empresa de Eike Batista anuncia a venda de jatinho de R$ 14 milhões

Decisão da companhia de aviação executiva AVX é vista como sinal dos tempos de 'austeridade'

Vinícius Neder, da Agência Estado,

21 de maio de 2013 | 21h33

RIO DE JANEIRO - O Grupo EBX, do empresário Eike Batista, colocou à venda um jatinho, conforme anúncio publicado no site Controller.com.

O anúncio não informa o preço - pede aos interessados que façam suas propostas pelo Legacy 600 da Embraer, ano 2008. Em outros anúncios no mesmo site, jatos do mesmo modelo e ano são vendidos a valores em torno de US$ 14 milhões.

Um Legacy 600 novo custa US$ 26 milhões, pelo preço de tabela da Embraer.

 

O jatinho pertence a uma empresa de Eike até então desconhecida: a AVX Táxi Aéreo, que presta serviços de aviação executiva para as companhias do conglomerado.

A empresa, antes denominada Zeus Táxi Aéreo, tem outros três jatos executivos, incluindo um Gulfstream G550, com autonomia para voos intercontinentais - um Legacy 600 tem autonomia menor; para chegar aos EUA, por exemplo, precisa fazer escala.

O Grupo EBX não comentou a venda, nem detalhou a frota da AVX. A venda está a cargo da empresa paulista Colt Aviation. A reportagem apurou que a aeronave está no Rio.

A AVX Táxi Aéreo tem sede no Aeroporto de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, segundo registro da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Mas, no endereço cadastrado na Anac, funciona a AVJet Aviation Services.

De acordo com o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), o jatinho à venda, prefixo PR-AVX, está em "arrendamento operacional", o que significa que a AVX está alugando a aeronave por um determinado período.

Para o consultor Francisco Lyra, da CFLY Aviation, a decisão de vender o Legacy 600 pode ser estratégica. Se o foco das companhias de Eike for desenvolver negócios na África e na Europa, por exemplo, faz sentido manter o Gulfstream G550 - de longo alcance - e desfazer-se do Legacy.

A venda também pode ser uma forma de passar imagem de austeridade, para o mercado e entre os funcionários. "Você comunica que a alta gestão está fazendo uma medida de austeridade, mas, normalmente, é o oposto", diz Lyra, conselheiro e ex-presidente da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag).

Reduzir o uso da aviação executiva é o oposto da austeridade, para Lyra, porque a opção por ter jatinhos próprios é uma questão de custo-benefício. Geralmente, quando diretores e o presidente de uma companhia gastam mais de 200 horas por ano em viagens de avião, compensa investir em jatinhos.

A conta de Lyra é simples. Um Legacy 600 tem custo operacional em torno de US$ 3 mil por hora de voo - o valor não é muito diferente para aviões como o Gulfstream G550. Se um presidente de empresa tem salário de R$ 20 milhões por ano e trabalha 16 horas por dia, sua hora de trabalho ficará em R$ 5 mil.

Como espera-se que um executivo competente gere valor para a empresa - digamos, equivalente ao dobro do salário -, a cada hora não trabalhada pelo profissional a empresa deixaria de ganhar valor equivalente ao custo operacional do jatinho.

O jatinho ainda oferece a vantagem de o executivo não parar de trabalhar. "Esses aviões são verdadeiros escritórios", lembra Lyra.

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