Werther Santana/Estadão - 18/06/2021
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Empresa de loteamentos Nova Harmonia desiste de abrir capital na Bolsa

Grupo usaria recursos para comprar mais terrenos e expandir operações; diante da piora do cenário, 53 companhias já suspenderam processos de IPO na Bolsa brasileira neste ano

Altamiro Silva Júnior, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2021 | 05h00

A Nova Harmonia, empresa de loteamentos urbanos com foco nas regiões Norte e Centro-Oeste, desistiu de fazer sua abertura de capital (IPO, na sigla em inglês), em meio a um mercado cada vez mais volátil. Só nas últimas semanas, quatro companhias desistiram de lançar ações, segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Entre os donos da Nova Harmonia está a família Bretas, que vendeu em 2010 a rede de supermercados Bretas, forte em Minas Gerais, Goiás e Bahia, para a chilena Cenconsud, que também está em processo de IPO na B3. A Nova Harmonia usaria os recursos da estreia no mercado de capitais para comprar mais terrenos visando a um crescimento da operação.

Já são 53 desistências este ano de aberturas de capital, embora estes números incluam companhias que voltaram em um segundo momento como uma operação repaginada, caso do banco de investimento BR Partners, que veio ao mercado em uma operação com esforços restritos e conseguiu levar a intenção adiante.

A piora do cenário nas últimas semanas, tanto político quanto econômico, tem levado os investidores a ficarem ainda mais seletivos, segundo um executivo de um banco de investimento. Por isso, estes gestores têm preferido apostar em ações de empresas já listadas, onde há uma referência de preço. 

Na lista de aberturas de capital suspensas figuram grandes empresas, entre elas a varejista Havan, de Luciano Hang, conhecido apoiador do presidente Jair Bolsonaro. No passado, a Havan chegou a projetar arrecadar até R$ 100 bilhões com o IPO, mas desde então a companhia reduziu suas expectativas. E, mesmo assim, acabou deixando a operação para mais tarde

Para os IPOs, a tendência é de que parte importante das operações em avaliação na CVM ou seja adiada ou cancelada, com somente alguns poucos (e bons) nomes conseguindo emplacar as ofertas, disse um diretor de um banco de investimento.

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