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Empresa de reestruturação faz oferta por fatia da Odebrecht na SuperVia

Proposta da brasileira Starboard pela participação de 60% da Odebrecht na concessionária de transporte ferroviário de passageiros do Rio pode se estender a toda a companhia; com dívida de R$ 1,4 bi, empresa já foi alvo do interesse do fundo Mubadala

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

23 Maio 2018 | 04h00

O grupo Starboard, empresa brasileira de reestruturação e investimentos em ativos em recuperação, fez nesta terça-feira, 22, uma proposta firme para adquirir a participação da Odebrecht na SuperVia, concessionária de transporte ferroviário de passageiros do Rio. O ‘Estado’ apurou que a oferta foi feita por meio da subsidiária Starboard Asset e, embora tenha sido direcionada ao grupo baiano, pode se estender a 100% da empresa caso os demais acionistas se interessem pelo negócio.

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A Odebrecht Mobilidade, empresa formada por Odebrecht Transport e Mitsui, detém 60% de participação na concessionária – responsável pela operação de um dos maiores sistemas ferroviários do País. Fontes próximas à concessionária afirmam que a empresa japonesa tem prioridade na compra caso a Odebrecht decida vender a participação. Procurada, a Mitsui não respondeu. 

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A Starboard não é a primeira a entrar na disputa pela concessionária do Rio. O Mubadala, fundo soberano dos Emirados Árabes, já havia negociado com a Odebrecht durante meses, mas o grupo considerou a oferta baixa. Procurado, o Mubadala afirmou que não comentaria o assunto. Um outro grupo de executivos do setor ferroviário, apoiados por fundos de private equity, também chegou a negociar a compra da empresa.

No ano passado, a SuperVia – que detém 270 quilômetros de malha ferroviária – faturou R$ 670 milhões. A dívida da empresa é de quase R$ 1,4 bilhão – sendo cerca de 80% com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o restante com outras instituições financeiras por meio de debêntures. A concessionária atende diariamente cerca de 600 mil moradores do Rio de Janeiro e de mais 11 municípios da região metropolitana.

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Para a Starboard, dizem fontes, o ativo é uma opção para aplicar recursos de um fundo que somou, até agora, US$ 275 milhões – e deve chegar a US$ 325 milhões. Além disso, em dezembro do ano passado, o fundo americano Apollo Global Management comprou 20% da empresa brasileira. O fundo faz a gestão de US$ 249 bilhões em ativos no mundo. Isso capitalizou a companhia para ir às compras, apurou o Estado. 

A participação da Odebrecht na SuperVia foi adquirida em 2011, mas, com a crise pela qual a empresa enfrenta, vários ativos foram colocados à venda. A concessionária do Rio está debaixo do guarda-chuva da Odebrecht Transport (OTP), braço de logística e mobilidade urbana da empresa. Desde o envolvimento na Operação Lava Jato, a empresa já vendeu o terminal portuário Embraport e o aeroporto Riogaleão, além de um parque eólico.

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O grupo tinha a meta de encerrar as atividades da OTP, de concessões, até o fim do ano passado. O atraso na venda das concessões impossibilitou o plano. As conversas com a Brookfield, que tem interesse em levar rodovias, estão demorando mais do que o esperado. Vendas de outros ativos, como as hidrelétricas Chaglla, no Peru, e Santo Antônio, no Brasil, também emperraram. Procuradas, Odebrecht e Starboard não responderam. A SuperVia informou que esse é um assunto dos acionistas. 

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Acordo. Após acertar as linhas gerais do acordo de empréstimo de R$ 2,6 bilhões, bancos e Odebrecht continuaram reunidos para fazer os arremates finais da negociação e finalizar todos os pontos para a assinatura dos contratos. As reuniões começaram às 9h e continuaram durante a noite. 

Segundo fontes próximas às conversas, seis cópias de 32 contratos de 50 páginas devem ser assinados por representantes das instituições financeiras e da empresa. O acordo já foi aprovado pelos comitês de crédito dos bancos. O processo de assinatura teve início nesta terça. Nesta quarta-feira, 23, deverá ser protocolado o registro das garantias. 

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