Empresa do governo de Cingapura avalia portos no Brasil

A Temasek, companhia de investimento do governo de Cingapura, está olhando negócios em infraestrutura, sobretudo em portos, para expandir seus tentáculos no Brasil. Com investimentos de US$ 1 bilhão em participações em empresas e fundos no País, a Temasek mantém conversas com grandes conglomerados brasileiros, como Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Odebrecht, para prospectar novos negócios, apurou o jornal O Estado de S. Paulo.

CÁTIA LUZ E MÔNICA SCARAMUZZO, Agencia Estado

31 de janeiro de 2014 | 07h49

Com um portfólio variado de investimentos, a companhia também está à procura de oportunidades em energia, florestas, varejo e mercado financeiro, segmentos nos quais já atua no mercado internacional.

?Existe disposição da Temasek de crescer no Brasil?, disse Matheus Villares, diretor-geral de investimentos da companhia no País. O Brasil representa hoje menos de 1% do total dos negócios da Temasek pelo mundo afora, que encerrou 2013 com uma carteira de investimentos de US$ 173 bilhões.

Segundo Villares, a Temasek poderá dobrar ou até triplicar seus investimentos no Brasil no curto e médio prazos. No entanto, a expansão vai depender dos negócios que surgirem. O jornal O Estado de S. Paulo apurou que a companhia tem avaliado nesses últimos meses oportunidades de negócios, entre os quais na CPFL, frigoríficos e em infraestrutura. No caso de portos e aeroportos, os aportes não serão feitos de forma direta. Se decidir fechar o negócio, a Temasek deverá se aliar a um conglomerado, que fará o investimento direto. O aporte também poderá ser feito por meio da Hidrovias do Brasil, empresa criada pelo fundo P2 (joint venture entre Pátria Investimentos e Grupo Promon), no qual a Temasek tem uma participação.

Fundada em 1974, a Temasek, embora tenha o governo de Cingapura como único acionista, não é um fundo soberano, que aplica recursos oriundos das reservas de um país. Também não funciona como um fundo de private equity, com cotistas e prazo de investimento definido. ?Aplicamos nossos próprios recursos, pagamos impostos em todos países onde temos negócio e temos uma visão de longo prazo, com flexibilidade para que os projetos maturem?, disse Stephen Forshaw, diretor de assuntos corporativos da companhia.

A América Latina representa apenas 2% dos aportes da companhia. Em 2011, a fatia era de 1%. ?Temos executivos locais onde temos presença porque essas pessoas podem identificar oportunidades. No Brasil, são onze profissionais?, disse Forshaw. A companhia está melhor posicionada na Ásia, com 41% dos seus negócios, excluindo Cingapura, e concentra maiores investimentos no setor financeiro. O foco dos negócios da companhia são em economias em transformação, classe média crescente, empresas líderes em ascensão. ?Gostamos de empresas campeãs.?

Tíquete médio

Segundo Villares, o tíquete médio de investimento da Temasek gira entre US$ 200 milhões e US$ 300 milhões, mas não é uma regra seguida à risca.

Em 2010, quando tornou-se parceira da Odebrecht na divisão de óleo e gás, desembolsou US$ 400 milhões. Em seu negócio mais recente, fechado no fim de 2013, na Klabin, a companhia comprometeu-se a investir, em parceria com a HS Investimentos, até US$ 550 milhões em debêntures conversíveis. A companhia também tem participação na Netshoes, Amyris, de origem americana, mas com unidades no Brasil, além de posições em fundos, como GP e Pátria. A companhia de investimentos também participou dos processos de oferta pública inicial de Visanet e Santander.

Entre o fim de 2012 e início de 2013, a Temasek chegou a negociar aporte de US$ 1 bilhão na Vale Logística, mas não foi adiante. A companhia também analisou a Abril Educação, Intermédica e Odebrecht Realizações Imobiliárias, segundo fontes.

Peculiaridade

?Cada país tem sua dinâmica para fazer negócios. No Brasil é diferente. Assim como na China, tem que conhecer pessoas. Aqui os ?deals? (acordos) demoram mais, tem que ser mais paciente. A transação com Klabin, por exemplo, demorou quase dois anos. A diferença é que a Temasek tem duas vantagens. Uma é ter um time local. A outra é que já investe em países em desenvolvimento?, disse Villares. ?Se você tem sucesso no Brasil, é bem-sucedido em outros lugares?, afirmou, referindo-se ao modelo complexo de negócios do País. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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