Alex Silva/AE
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Empresa que desenha modelos Ferrari quer se instalar no Brasil

Grupo Pininfarina, responsável pelo design de carros legendários, agora se volta aos emergentes

Marcelo Godoy e Rodrigo Brancatelli, de O Estado de S. Paulo,

20 de outubro de 2011 | 23h00

São Paulo deve ser a sede de uma futura operação do grupo Pininfarina no País. Responsável pelo design de 80 modelos da Ferrari - uma lendária parceria que completa 60 anos em 2012 - e de carros como a Alfa Romeo Duetto e o Peugeot 406, o grupo italiano quer projetar no Brasil produtos industriais e interiores de barcos e prédios.

O objetivo é seguir o exemplo da parceria feita com o estaleiro Schaefer, de Santa Catarina, que resultou na construção da lancha 620 - R$ 5 milhões a unidade -, lançada pelo presidente do grupo, o engenheiro Paolo Pininfarina, nesta semana em São Paulo.

"É de São Paulo que deve partir o coração da Pininfarina, em uma eventual operação no Brasil", afirmou ao Estado. O presidente do grupo não fala em números ou parceiros. "Não quero entrar em detalhes, porque me parece prematuro. Mas, se devo pensar que um dia terei de fazer um hotel Pininfarina, é muito mais provável que o faça em São Paulo do que em Berlim. Porque as coisas que eu vejo aqui me agradam, porque aqui, de certo modo, existe uma história que tem raízes italianas."

O grupo dirigido pelo engenheiro - 400 funcionários e faturamento anual de  60 milhões, dos quais  25 milhões fora da Itália - aposta em parcerias nos mercados emergentes para se recuperar do impacto da crise na Europa. É aí que o Brasil entra.

Desde 2008, a empresa de Turim se desfez de três linhas de montagem de automóveis. Cedeu uma delas à De Tomaso e fechou outras duas - a última delas, a de San Giorgio, foi fechada há dez dias, com a demissão de 127 funcionários. Só a sociedade com o grupo francês Bolloré continuará, para a produção do Bluecar, o carro elétrico da marca. "Mas o coração do grupo, o design, não foi afetado pela crise", afirmou o engenheiro de 53 anos, que comanda a Pininfarina desde 2008, quando seu irmão Andrea morreu em um acidente de moto - o pai, Sérgio, é senador vitalício em seu país.

Em 80 anos, a Pininfarina havia produzido sob encomenda para terceiros 1 milhão de veículos, boa parte fora de série. O último contrato, com a Alfa Romeo, terminou e não surgiram novos clientes. "Mantivemos a fábrica por três ou quatro anos porque havia produção, imaginando que o mundo pudesse mudar, mas o mundo não mudou."

A mudança podia ter vindo do veículo elétrico. Mas essa foi outra aposta que se revelou incorreta. A empresa sonhava com milhares de carrinhos elétricos vendidos em 2011. Mas as vendas do mercado ficaram na casa das centenas. "As projeções de produção feitas para 2011 e 2012 hoje são feitas para 2020." A crise, segundo Paolo, atingiu fortemente a Pininfarina porque ela era "muito inclinada do ponto de vista financeiro" sobre a produção.

"Quando a produção de foras de série deixou de interessar aos construtores, a empresa teve de rever sua visão." Até 2008, ela se apoiava em design, engenharia e manufatura. "Hoje temos design, engenharia e desenvolvimento de estilo, de mobilidade sustentável e de marcas."

Discurso. As intenções do empresário italiano foram apresentadas a um grupo de potenciais clientes no Shopping Iguatemi anteontem. O discurso era afiado. Paolo vive de vender uma ideia: seu estilo, seu design. "É um espírito camaleônico: italiano e internacional, artístico e industrial, clássico e inovador. É assim um espírito surpreendente. Dou um exemplo: a Ferrari."

Ele então fala da F-40, da Testarossa e de outras feitas por seu pai, seu irmão e por ele. "Cada Ferrari tem alguma coisa de surpreendente. É muito difícil que exista uma Ferrari que seja puramente o desenvolvimento de um modelo precedente."

Se no passado a aposta da empresa foi na montagem, agora ela investe na "construção de marcas" de países emergentes. Foi isso que levou o "design italiano" para o J6, da JAC Motors, oferecido aos consumidores brasileiros. Vender o desenvolvimento de marcas, para ele, é usar o modelo que a liga até hoje à Ferrari. E é com sua principal joia que a Pininfarina tenta reconquistar espaço no mercado.

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