Empresários da Delta e do Cruzeiro do Sul serão julgados por corrupção

Fernando Cavendish e Luis Felippe Índio da Costa, envolvidos em denúncias de corrupção e fraude, serão julgados na segunda-feira na Comissão de Valores Mobiliários

Marina Durão e Sergio Torres,

24 de junho de 2012 | 18h49

RIO - Envolvidos em denúncias de corrupção e fraude em suas empresas, a Delta Construções e o Banco Cruzeiro do Sul, os empresários Fernando Cavendish e Luis Felippe Índio da Costa estão entre as 77 pessoas físicas e jurídicas que serão julgadas nesta segunda-feira pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no Rio, em processo que investiga negócios supostamente irregulares.

Com contratos futuros negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), as negociações suspeitas ocorreram entre corretoras e o fundo de pensão Prece, dos funcionários da Companhia Estadual de Água e Esgotos (Cedae), a estatal de saneamento e distribuição de água do governo fluminense.

As operações, que podem ter gerado perdas de R$ 17,3 milhões ao Prece, foram realizadas entre outubro de 2002 e outubro de 2003. Nos últimos três meses de 2002, a governadora era a atual deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ). De janeiro a outubro de 2003, o Estado do Rio era governado por Rosinha Matheus, eleita no ano anterior.

De acordo com o inquérito da CVM, que regula o mercado nacional de capitais, a operação envolvia sete corretoras e distribuidoras: Cruzeiro do Sul CM, SLW CVC, Laeta DTVM, São Paulo CV, Novação, Bônus-Banval Commodities e Liquidez DTVM. Além delas, participaram indiretamente a Quality CCTVM e a Fair CCV, por meio da Cruzeiro do Sul e da Laeta. Também foram acusados, por falta de diligência, administradores e gestoras dos fundos como a Mercatto Gestão de Recursos e o Banco Schahin.

O esquema gerava ajustes diários negativos (perdas) para fundos exclusivos da Prece e ajustes positivos (ganhos) para certos clientes dessas instituições financeiras em contratos futuros de dólar, juros e índice Ibovespa. Alguns investidores eram próximas ao então gerente de investimentos da Prece, Carlos Eduardo Carneiro Lemos.

Fernando Cavendish teria participado como investidor e obtido "ganho contumaz" de R$ 529 mil de fevereiro a julho de 2003. Nos negócios intermediados pela corretora Novinvest, "ficou configurada a ocorrência de operações fraudulentas e de práticas não-equitativas" no mercado de valores mobiliários. Desde a segunda metade da década anterior ele vinha, à frente da Delta, participando de empreendimentos contratados pelo governo estadual e pela Prefeitura do Rio.

Índio da Costa é acusado por operações semelhantes realizadas pela Cruzeiro do Sul CM, da qual era o diretor responsável. A lei prevê penas como multa, inabilitação por até 20 anos ou cassação do registro de administrador de carteiras.

O inquérito aponta que o "esquema foi possível porque a especificação dos comitentes finais junto à BM&F ocorria apenas ao final do pregão, podendo, assim, ser realizada a distribuição dos negócios de acordo com o que se mostrasse mais conveniente". Na prática, as operações eram feitas nas duas pontas (compra e venda) e, ao fim, os clientes das corretoras ficavam com os ganhos, em prejuízo da Prece. A CVM checou a ter 93 acusados no caso, mas firmou alguns acordos com alguns deles para pôr fim ao processo.

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